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Revista Digital

Edição #45

  • Foto do escritor: Terreiro Vovó Benta
    Terreiro Vovó Benta
  • 11 de jul. de 2025
  • 18 min de leitura

4 de jul. de 2025 à 10 de jul. de 2025

Em mais uma edição da Revista Digital do Terreiro de Umbanda Vovó Benta, você fica por dentro da rotina dos nossos projetos sociais, culturais, esportivos e terapêuticos! Tem novas missões nos encontros do Crochêterapia, início de jornadas entre os capoeiras, atendimentos terapêuticos com muito aconchego e luz, mesmo em meio ao frio, além dos encantos e cores sempre presentes nos ensaios das danças Cigana Artística e do Ventre!


No espaço de giras, a união dos médiuns em diferentes momentos nos ensinou, mais uma vez, sobre a força do amor, dos encontros do coração com coração por meio de abraços fraternos, e, principalmente, sobre a . Sobre isso, Mãe Luane de Iemanjá nos conta:


– É inevitável que nesta semana, nosso tema destaque misture amor, dor e fé. 


Nossos dias foram marcados com a alegria de mais um despertar! A cada manhã em que cada um de nós pôde abrir os olhos, respirar e viver. Dias ensolarados, dias chuvosos, todos os dias.


Da mesma forma, ao abrir os olhos e encarar (sem fugir) a nossa realidade, muitos de nós fomos atravessados pela dor: seja da saudade, do não saber, da partida. 


Como é possível deitarmos para descansar e nos prepararmos pra mais um dia raiar quando a dor nos atravessa e o que somos capazes de enxergar é somente isso? A dor, a tristeza, o desespero? Não vejo resposta ou caminho possível diferente do que Vó Benta e Vó Ana tanto falaram nesta semana: a fé.


Fé em Deus e em sua divina criação. Perceber que todos possuem sua missão e tempo, e não há o que possa mudar isso, nem mesmo nosso desejo -amoroso mas por vezes egoista - em teimar pela permanência conosco. Entender seus desígnios divinos e a motivação por trás de cada um deles não nos cabe, e nos revoltar com o Pai por isso apenas amplifica a dor sentida. 


Fé nos Orixás - que é a fé na vida. Desde o pão que nos alimenta, nossa força, coragem e sensibilidade em persistir, transformar e fazer sempre um pouco melhor - ou ao menos, buscar servir ao mundo de maneira a deixá-lo com um cadinho mais de paz e luz.


E fé em nós. Acreditar na bondade que existe e precisa ser alimentada. Acreditar em nossa capacidade de mudança quando nos sentimos insatisfeitos com algo. Acreditar na criança que já fomos, sonhadoras - e ter a certeza de que a alegria e a imensidão dessa pureza permanece dentro de nós - mas agora já crescidos, temos oportunidades de aprender, planejar e construir. E acreditar nas crianças que na matéria ou fora dela, colorem os dias e nos relembram da importância da alegria - e de nos lembrarmos do quão simples ela é ou deveria ser.


Se a dor não nos faz lembrar do valor das presenças, da intencionalidade, da dedicação e da simplicidade, o que faria? 


E mesmo com a dor nos atravessando, seguimos firmes no propósito, pois temos fé.


Fé em Deus e nas crianças.

Giras

Gira de Segunda (Mãe Lilian) - Em um relato por Pai Luiz de Oxóssi

Na segunda-feira, o frio não intimidou os filhos da corrente e a assistência para a gira. Com muita alegria, disposição e amor, Mãe Lilian nos trouxe uma linda reflexão. Nesse dia, todos ansiavam por mais uma gota de sabedoria da Vó Benta. E ainda celebramos um casamento muito especial: o das filhas Shirlei (Gira de Segunda) e May (Gira de Sexta). Por isso, contamos com a presença de Mãe Luana de Xangô e Pai Gustavo de Oxóssi, dirigentes da gira de sexta, que abrilhantaram e reforçaram os trabalhos daquele dia.

A reflexão foi sobre crer, acreditar, ter crédito: "Quanto você acredita em si mesmo?" No que você pensa, no que você fala, no que você faz — o quanto disso vem de uma crença firme em quem você é e no que é capaz de realizar?

Não estamos falando apenas daquilo que se pode conquistar ou fazer no mundo material, mas da força do pensamento como fonte de cura física, emocional e mental. O quanto você acredita na sua própria palavra, no seu pensamento, na sua energia?

Não é sobre o que um espírito pode fazer por você, como numa oração pedindo que ele resolva algo no seu lugar. Pensar assim coloca um peso muito grande sobre os ombros dos guias e tira de você a responsabilidade pela própria vida.

Será que você acredita mais neles do que em você mesmo? É como o elefante amarrado a uma pequena flor: forte o suficiente para esmagar qualquer obstáculo, mas convencido de que está preso. Quantos vivem assim? Presos a realidades frágeis, ilusórias, sem perceber que têm dentro de si tudo o que precisam para se libertar.

Isso vale para todos os amores: familiar, romântico, espiritual — mas principalmente para o amor-próprio. Será que não é mais fácil acreditar que o outro pode fazer o que só você poderia realizar por si mesmo? Se você soubesse o valor energético da sua presença, o seu valor espiritual e o quanto realmente é capaz de transformar sua realidade, talvez não colocasse tanta fé nos outros e tão pouca em si.

Pense, por exemplo, num diagnóstico difícil. Se você recebe um tratamento e sai do consultório desacreditando da sua capacidade de cura, já entrou derrotado nessa batalha. Mas se, ao contrário, você acredita em si, na sua força, e confia não só no tratamento, mas também na sua determinação em seguir, superar e vencer — você aumenta imensamente suas chances de se curar. Essa fé em si mesmo muda tudo. Então, no momento do passe, do descarrego, médium ou assistente, pergunte a si mesmo e ao seu guia: "Quanto eu acredito na minha força?" "O quanto eu creio em mim?"

Porque isso vai além do amor-próprio: é reconhecer-se, perceber-se, sentir-se como parte viva da criação. Todos temos a mesma capacidade de aprender e de fazer. Chegamos até aqui com as ferramentas que tínhamos. Mas daqui pra frente, a realidade que se constrói depende da nossa intervenção. Hoje, temos internet, inteligência artificial, ciência, estudo e muito mais. Mas nada disso vale se não houver a disposição de usar o nosso cérebro e nossa vontade para mudar. Como mostrou o vídeo do Professor Clóvis de Barros, exibido no último desenvolvimento no terreiro, todos nós temos condição. Não podemos mais viver presos a situações, relações ou trabalhos que não fazem sentido. A mudança começa na percepção: "Por que eu ainda estou aqui?" "O que me impede de mudar?"

É o acreditar em si mesmo que abre os caminhos. Pedir conselhos é importante. Pedir ajuda aos guias é essencial. Mas nada disso funciona sem acreditar em você mesmo. Faça acontecer! Questione-se: quanto eu acredito em mim?

É preciso crer mais em si do que nos outros — inclusive mais do que em Deus e nos guias — porque a fé em Deus passa, antes, pela fé em você. Peça o apoio dos espíritos, sim. Mas se coloque sempre como alguém capaz de compreender, agir e transformar. Assim, a espiritualidade te alcança com tudo o que for necessário. Foi após essa profunda reflexão que a gira se abriu oficialmente.

Mãe Lilian explicou que, durante o mês de julho, em respeito às raízes do terreiro, faremos a saudação ao Pai Fernando de Ogum, fundador do Terreiro do Pai Maneco, que retornou à Aruanda em julho de 2012. Seu Curumataí chegou com muita vibração e energia, saudou a todos e deu início aos trabalhos. No Bate-Folhas, chamou Seu Guaracy, Seu Jupiá e mais um caboclo para trazerem a força de Oxóssi, e em toda a corrente, invocou a força de Xangô.

Ao final do trabalho, após a subida dos caboclos, orientou todos a aproveitarem essa força de Xangô para invocar a justiça própria, pois nada pode ser feito sem antes se confiar na justiça divina para consigo mesmo. Somente assim se encontra o caminho justo, e se torna possível ser útil para si e para o outro. Ele então chamou a hierarquia ao centro e invocou a força de Iansã, para que com os ventos da tempestade limpasse os miasmas e levasse os espíritos que ali precisavam ser encaminhados. Logo após, Seu Curumataí encerrou a primeira parte da gira e foi a Oló. 

Durante o intervalo, todos ajudaram a preparar um belo tapete de folhas para o casamento. A segunda parte começou com Mãe Lilian saudando as filhas Shirlei e May. Ela mesma cantou a entrada dos padrinhos com a música das 21 velas e foi ao encontro das noivas, que adentraram ao som de pontos para Ogum e Oxalá.

A Vovó Benta chegou alegre, feliz por realizar mais um casamento. Chamou a Vovó Chica, madrinha espiritual dessa união, junto com Seu Jupiá, para abençoarem juntas a cerimônia. Vó Benta iniciou a oração saravando Pai Oxalá e toda a espiritualidade, pedindo permissão para abençoar o amor daquelas duas filhas dos Orixás. Falou que a vida não é, e nem pode ser, sempre igual. Nem sempre está quente, nem sempre há cobertor.

No relacionamento, se uma está com frio, a outra aquece. Se uma está com fome, a outra prepara o alimento. Se uma perde a paciência, a outra precisa ter mais. Amor é também saber cuidar e equilibrar. E já aproveitou para lembrar a Shirlei, que é chef, do jantar prometido à Vó — e pediu um caruru para a festa das crianças! Falou das escolhas no relacionamento. Que não se deve escolher alguém pelos bens ou pelos defeitos parecidos. O que se escolhe é o Sol e a Lua. O que se escolhe é o que faz uma querer ser melhor para a outra. Vó Chica completou dizendo que o amor verdadeiro resiste às caras feias, às dores de barriga, ao mau humor, às manias. O amor se mostra mesmo é na paciência e na compreensão. É ele que deve ser buscado quando não nos reconhecemos.

Após as palavras, as velas foram abençoadas. Cada uma acendeu a vela dos padrinhos. Depois, coroaram-se com flores, símbolo do florescimento da relação. Trocaram guias como sinal de lealdade. Partilharam o pão, sinal do cuidado com o corpo, e o vinho, sinal do cuidado com o espírito e os sentimentos. Bebiam com os braços entrelaçados. Vó Benta benzeu as alianças, entregou uma para Shirlei; Vó Chica entregou a outra para May. Elas trocaram as alianças e selaram a união. Os Erês vieram em seguida abençoar o casamento. Depois, os caboclos realizaram os atendimentos.

Ao final, Vó Benta chamou todos para perto e trouxe a última gota: a FÉ.

Tem gente que tem, tem gente que não. Tem gente que deseja, e gente que não acredita em nada. A fé que constrói não é sentimento, é pensamento. Ela mora na cabeça. E pensamento não se interrompe como emoção. Ele segue como flecha atirada. A fé te cura. Cura até unha encravada. Cura câncer. Mas a falta de fé te destrói. Fé não é só em Deus. É no espelho. É em si. Coloque a mão no peito: você está vivo. Coloque a mão na cabeça: você acredita no seu espírito? Na sua imortalidade?

Quem acredita nisso não perde tempo com dúvidas pequenas. Sabe que essa é só mais uma vida entre muitas. E quer vivê-la com alegria. Cada dia é uma vela queimando. E um dia ela se apaga. Cuide do corpo: ele serve à dança, ao amor, ao descanso. Viva essa vida com fé! Plante uma erva. Com fé. E se ela não nascer, tente de novo. Regue com persistência e esperança. Ela será o espelho da sua fé. Durante 21 dias, reflita sobre essa última gota. Observe: o que cada ato diz sobre a sua fé? Como pode fortalecer sua crença em si?

A fé é sua. Use-a para construir. Não para destruir.Sua fé vai abrir os seus caminhos. Sua fé vai transformar sua vida.Você só precisa acreditar!

Assim, Vó Benta encerrou os trabalhos, abençoando a todos.E, junto de Vó Chica, foi a Oló.

Saravá a Vovó Benta! 🌿Saravá a Vovó Chica! ☕


Gira de Terça-Feira (Pai Gustavo) - Em um relato por Mãe Cris de Iansã

Nesta gira de terça-feira, Pai Gustavo de Oxóssi nos fez refletir um pouquinho sobre o tempo. Sobre a necessidade de entendermos que o nosso tempo é também atrelado ao nosso merecimento. E que dentro do nosso merecimento é importante fazermos a nossa parte. Assim, se quisermos que as coisas aconteçam precisamos contribuir e não apenas responsabilizar a espiritualidade, os espíritos e guias. Também nos trouxe a reflexão da necessidade de respeitarmos o nosso tempo.


Após a reflexão e abertura da gira, S. Ubirajara conduziu os trabalhos com auxílio de S. Girassol e S. Guaraci nos atendimentos dos pets e também da assistência. Fizeram-se presentes as forças das matas e das águas para cura e limpeza dá assistência. A segunda parte era uma gira Neutra de Marinheiros que foi conduzida pelo S. Zeferino – Baiano que trouxe toda a força do mar. Por fim, S. Zeferino trouxe a mensagem sobre a necessidade de equilibrar os pensamentos para que possamos enxergar os caminhos 🥥🛶


Gira de Terça-Feira (Corrente Ilha do Mel - Mãe Juliana)

Na Casa das Águas, refletimos sobre o que plantamos durante a nossa própria existência, o que colhemos com merecimento e o fruto que cada um carrega. 


A vibração das Sete Linhas e o passe espiritual foram conduzidos por Seu Sete Flechas e pelos Caboclos de Ogum. No momento de cura, foi chamada a força de Oxóssi, o saber do povo de fogo e o acalento da Mãe d’Água. Mamãe Iansã soprou seus ventos, transmutando energias e preparando o campo energético para que os atendimentos acontecessem. 


Na segunda parte da gira, com saia rodada e riso nos lábios, a Baiana Maria Rita conduziu os atendimentos com os Baianos, com alegria e firmeza 🥥✨


Gira de Quarta-Feira (Mãe Luane) - Em um relato por Pai Raphael de Ogum

Nesta quarta feira, a gira começou enfrentando alguns desafios, mas a corrente do Caboclo do Mar é firme, e com sua força sempre supera os percalços do caminho. O clima frio, que costuma nos deixar mais quietos, recolhidos e retendo o calor, também interferiu nos preparativos daquela noite. A madeira utilizada na defumação, úmida por conta da lenha guardada no fogão da vó, não sustentava a brasa acesa como deveria. Mas isso foi apenas um detalhe. A energia da corrente foi mais forte — e a alegria que se espalhava pelo terreiro rapidamente contagiou a todos, especialmente a assistência.


Com o ritual já iniciado, S. Caboclo do Mar trouxe a firmeza e determinação de Ogum, preparando o terreiro para os trabalhos de cura que viriam. Após duas rodadas nas macas, foi firmada a força de Oxóssi, responsável pela energização e limpeza final dos corpos e espíritos ali presentes.


No segundo momento da gira, Vó Ana conduziu a palavra. Falou sobre os diversos rituais da Umbanda, com destaque para a defumação. Explicou sua importância como um processo de limpeza espiritual, que afasta energias densas e abre caminhos.


Foi então que anunciou à gira que haveria mais uma defumação a ser feita, dessa vez pedindo aos médiuns da corrente mais intenção e firmeza dos pensamentos. Com o auxílio do Pai Tomaz, o processo seria reforçado, mais profundo. Vó Ana também anunciou que aquela noite seria diferente: chamou alguns médiuns para trazerem os Pretos e Pretas Velhas, enquanto os demais membros da corrente foram responsáveis por chamar as crianças espirituais. Cada um, em sua vibração, somou forças para construir um trabalho de luz, proteção e equilíbrio 🕯️🍭


Gira de Quinta-Feira (Mãe Luane) - Em um relato por Capitão Alan de Ogum

Como explicar a gira desta quinta-feira? 

Talvez começando pelo começo, quando ainda à tarde recebemos uma missão mais do que especial, um convite da espiritualidade. A pequena Maju, menina de luz que por muito tempo foi cuidada e tratada em nosso chão, fez sua passagem. Sempre alegre, dançava sorrindo no meio do congá com sua música favorita cantada com graça: "Tá caindo flor, tá caindo flor, cai do céu, cai na terra...". O velório terminaria à meia-noite, e a ideia era, se possível, encerrar os trabalhos mais cedo e acompanhar sua despedida. 

A gira foi conduzida pela Mãe Luane de Yemanjá, com firmeza e doçura. Na reflexão inicial, ela compartilhou a pergunta de um filho de quarta-feira: “Qual é o sentido de eu vir toda semana?”. A dúvida sincera levou a um diálogo com sua Preta Velha, Vó Ana, que o fez refletir sobre a fé. “Você tem fé em mim?”, ela perguntou. Mas não parou aí: “Você tem fé em Deus? Fé nos Orixás? Fé em você?”. E ali começou um mergulho. Sobre o que realmente nos move. Se não houver fé verdadeira, nem que seja do tamanho de um grão, nem o sagrado consegue nos alcançar. 

O ritual precisaria ser mais rápido do que de costume, mas as coisas sempre acontecem como tem que acontecer. Na defumação, a lenha úmida dificultou o fogo. Apenas um turíbulo resistiu. E mesmo assim, a fumaça subiu, tomou o terreiro e fez seu papel de limpeza com maestria. 

Na vibração, quando normalmente um Caboclo comanda os trabalhos, quem veio foi justamente a Vó Ana. Sim, a da reflexão. No seu tempo, com sua voz pausada e firme, conduziu os trabalhos como tinha que ser: com rezas, com curumins, com fé. Tudo no tempo exato, mesmo que não fosse o tempo do relógio. Tivemos duas levas de macas, com trabalhos intensos do Povo do Fogo, Iabás e Caboclos de Oxóssi. E o que normalmente seria encerrado pela força intensa de Iansã, foi tomado pela alegria dos Erês, que giraram pelo terreiro e limparam os corações com sua leveza. O recado era claro: a alegria cura. 

Na segunda parte, com mais de 50 fichas distribuídas, os Exus e Pombagiras desceram com toda força e ordem, cada um com sua função, cada um com sua entrega. Todos os consulentes foram atendidos. Após os atendimentos, a corrente também foi tomada pela presença das Pombagiras, e, mais à frente, dos Exus Mirins. Mas havia um peso no ar. Algo que muitos sentiram, eu incluído nisso, como se ainda restasse algo por ser feito. Foi quando, no que parecia ser o encerramento, Seu Exu Maré chamou as almas. E foi ali que o terreiro se transformou. 

Médiuns incorporados em espíritos que precisavam ser encaminhados. Transportes começaram. Lembranças de muitos anos atrás, ainda em giras de desenvolvimento, voltaram para mim. Com esse conhecimento adquirido lá atrás, tentava orientar médiuns ainda caídos. E ali, seu Seu Exu Maré me perguntou qual era o maior erro. Respondi que era confundir a dor do espírito com a minha própria. Ele confirmou que de fato era um erro, mas não o principal. E, num tom de ensinamento, me lançou uma pergunta: “Você acha que eu faço como Tata Caveira e tiro as almas do solo para encaminhá-las?”. Eu disse que não sabia. E ele devolveu: “Onde você acha que há mais almas? Debaixo da terra ou debaixo do mar?”. E então, os Exus subiram. A gira ainda não tinha acabado… 

Mesmo com a corrente cansada, foram chamadas as caboclas de Iansã para a limpeza final. Pela primeira vez, vi os médiuns de preto girando feito ventarolas. A ventania tomou o terreiro. E tudo o que ainda precisava sair, foi levado. Ficou a força. Ficou a fé. Ficou a certeza de que tudo aconteceu como deveria acontecer. 

Encerramos no tempo perfeito (lembram da quarta gota de sabedoria?). Quem pôde, foi até o cemitério para marcar presença no velório da Maju. Quem ficou, ajudou nas tarefas de encerramento e limpeza do terreiro. 

Uma gira inesquecível. Daquelas que não se explica apenas com palavras. Se sente, se vive e se guarda no coração. 

Saravá! 🔱⚡


Gira de Sábado (Mãe Luane) - Em um relato por Pai Raphael de Ogum

A tarde foi marcada por ainda mais alegria e intensidade, pois era dia de gira de Caboclos — espíritos que trazem consigo a determinação, a alegria vibrante, a franqueza e o traquejo característico dessa poderosa linha de trabalho. A energia fluía com firmeza: a força guerreira de Ogum, a sabedoria certeira de Oxóssi e a justiça clara e reta de Xangô guiavam os caminhos daquela tarde.

Como é de costume nas giras de sábado, o foco estava nas quebras de demandas que chegam ao terreiro, e neste fim de semana não foi diferente. Dois importantes trabalhos de meio aconteceram, firmados nas forças de Ogum e Xangô, cada qual cumprindo seu papel com firmeza e proteção.

Mas as surpresas da espiritualidade não pararam por aí. Na segunda parte da gira, fomos agraciados com a presença iluminada de Vó Ana, que trouxe consigo um ensinamento profundo e simbólico. Falou sobre as fugas que fazemos quando precisamos encarar situações desafiadoras — com sua doçura, falou dos "ensaboadinhos", que fazem isto com brincadeiras e leveza. Falou também daqueles que fogem se trancando em seu próprio mundo ou que passam pelas situações da vida sem se permitir sentir, como se fossem pedras rolando montanha abaixo. Com sua sabedoria, ela nos lembrou que toda dificuldade é uma oportunidade essencial para aprender, se conhecer e servir a um propósito.

A gira foi encerrada com atendimentos repletos de luz e orientação, sob as forças dos Caboclos de Oxóssi e Xangô, selando mais um trabalho de fé, cura e transformação 🍃⛰️


Projetos esportivos


Dança do ventre


Nesta segunda o espaço se encheu de cores, ritmos e sorrisos com a nossa aula temática junina de Dança Árabe! As alunas capricharam nos figurinos e mergulharam na alegria das festas de São João, dançando ao som de grandes sucessos do forró com o encanto dos movimentos árabes.

Foi uma verdadeira celebração da mistura de culturas, da liberdade do corpo e da força do feminino. Porque dançar é isso: unir mundos, renovar energias e transformar a alegria em arte.

✨💃 Viva a dança, viva o forró, viva a beleza de ser quem se é!


Dança cigana

As segundas-feiras ganham cor, energia e alma com a Dança Cigana Artística no espaço Vovó Benta. É um momento de alto astral, trocas sinceras e vivacidade, onde cada mulher dança sua história e, ao mesmo tempo, se une a tantas outras em um mesmo compasso.

A dança aqui é mais que movimento: é libertação, é conexão, é cura. O que começa como um caminho individual se transforma em força coletiva — e o “eu” se torna “nós”.

✨🌹 Celebramos todos os espaços que acolhem, fortalecem e permitem que a arte nos una com verdade e afeto. 💃🏼


Capoeira adulto


Nesta quinta-feira demos início ao Método C.S, uma jornada de seis meses que integra capoeira, neuroplasticidade e alimentação consciente para promover uma transformação profunda — física, mental e emocional.

É um caminho de disciplina, presença e autoconhecimento, onde o corpo deixa de ser apenas forma e passa a ser instrumento de travessia e superação.

Aqui, a capoeira é mais que movimento.É verbo e substantivo: nomeia, move e transforma.Capoeire-se 🤸🏽

Projetos terapêuticos

Terapias integrativas

Nas noites de terças e quartas o Espaço Terapêutico se transforma em um verdadeiro ponto de luz e acolhimento. Ao todo nesta semana, 22 terapeutas voluntários dedicaram seu tempo, saberes e afeto para atender aqueles que buscaram pelas terapias.

O espaço pulsa com a escuta amorosa, o toque sutil e a energia da cura. A cada encontro, reafirma-se que o caminho do equilíbrio é contínuo, desafiador, mas possível — quando trilhado com amor, fé e compromisso com o bem viver.

Aqui, a espiritualidade encontra a terapia, o cuidado se torna partilha, e o sagrado se expressa em cada gesto.


Salve sua Luz! 🕉️🌟

Projetos Sociais

Feira/Xepa Solidária

Na última semana, a Feira Solidária contou com a força e o carinho de 20 voluntários, que atuaram na coleta, separação e redistribuição de alimentos para a comunidade. Graças a essa rede de afeto e dedicação, conseguimos transformar excedentes em cuidado, levando alimento digno a quem precisa.

🌽 Total arrecadado pela Xepa Solidária: 285,40 kg

🥦 Destinado a Cozinha da Vó: 55,90 kg

🌱 Encaminhado à compostagem: 42,70 kg


Cada etapa desse processo é construída com mãos que ofertam tempo, escuta e presença. Você também pode fazer parte: 

 ✨ Sendo voluntário(a) na coleta, triagem ou entrega;

 📣 Divulgando o projeto nas redes sociais;

 📞 Ou entrando em contato com a Secretaria do TVB!


Alimentar é mais do que doar comida. É um gesto de fé, de cuidado com o outro e de compromisso com a vida. Vamos juntos seguir espalhando essa rede de solidariedade?



Marmita Solidária

A Marmita Solidária, ação do Terreiro Vovó Benta, segue levando muito mais do que comida para quem vive em situação de rua. A cada semana, voluntários se reúnem para preparar e entregar refeições quentinhas, recheadas de carinho e respeito.

Nesta semana, além das marmitas, a ação contou com a entrega de roupas doadas e de conjuntos de touca e cachecol feitos à mão pelas mulheres do projeto Crochêterapia, que com linha, agulha e amor, tecem cuidado e aquecem vidas.

Cada gesto, cada partilha, é um fio que nos une em uma grande rede de solidariedade. Porque alimentar o corpo é importante — mas alimentar o coração é essencial 🫘💗


Projetos culturais

Crochêterapia

Nesta terça-feira, nosso grupo se reuniu mais uma vez, com corações aquecidos e mãos que seguem tecendo muito mais do que linhas: tecemos afeto, propósito e conexão. Tivemos um momento especial revendo juntas as fotos da entrega das peças confeccionadas com tanto carinho. A entrega no Lar Moisés foi um verdadeiro sucesso! Alegria e afeto foram culminantes neste dia especial, pois dois projetos do TVB se cruzaram por lá: a Crochêterapia e o Níver Solidário. Ver nossas peças acolhendo com cor e calor os moradores do Lar foi uma emoção indescritível, que ficará marcada em nossos corações.


Durante o encontro, separamos algumas toucas que serão doadas para pacientes psiquiátricos, em mais uma ação de acolhimento e cuidado. Nossa querida mãe Luane será o elo de amor que fará essa entrega acontecer com toda a delicadeza que o momento exige.


Recebemos também com gratidão as seis toucas brancas que foram confeccionadas especialmente para serem vendidas aos médiuns do Terreiro Vovó Benta. Toda a renda obtida com essa venda será revertida integralmente para a compra de mais lãs, garantindo a continuidade do nosso projeto e o calor de muitas outras cabeças e corações.


E as missões não param por aí! A próxima meta é confeccionar toucas para um Lar de Idosos – mais uma oportunidade linda de espalhar cuidado e ternura para quem tanto já ofertou amor pela vida.


Entre uma linha e outra, nosso bate-papo rendeu boas risadas e reflexões sobre as rotinas e desafios do dia a dia. E como ninguém é de ferro, decidimos eleger uma saída de campo por mês! Seja para um passeio no parque ou uma visita inspiradora a armarinhos, queremos fortalecer ainda mais nossos laços e renovar nossas energias juntas.


Seguimos firmes, entre pontos altos e baixos, tramas e novelos, com a certeza de que a vida também se borda com amor.


Venha fazer parte dessa equipe que tece amor! 🫶


Projeto X

Neste sábado, mesmo com a ausência de alguns participantes por conta do período de férias escolares, o Projeto X seguiu pulsando com sentido e afeto. A atividade aconteceu em um formato diferente: uma roda de conversa envolvente sobre dedicação e propósito — refletindo sobre como os jovens têm se comprometido com o que escolhem viver, seja nos estudos, nas relações, no lazer ou na espiritualidade.

Mais do que encontros semanais, o Projeto X tem como missão acolher pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos, oferecendo um espaço seguro onde possam se perceber, se expressar e encontrar pertencimento em meio às tantas transformações dessa fase da vida.

Porque crescer é desafiador — mas não precisa ser solitário. No X, cada troca é um passo para dentro de si e para mais perto do outro.

✨💬 Que venham mais sábados de construção, cuidado e descoberta!


Leia+

 Ler é mais do que decifrar palavras — é atravessar mundos, encontrar espelhos, inventar futuros. O Projeto Leia+ nasce com esse desejo: plantar sementes de leitura, pensamento crítico e imaginação, especialmente em espaços onde o acesso ao livro ainda é um privilégio.

Acreditamos que cada página pode ser um gesto de cuidado, um convite ao sonho e um espaço de transformação. No Leia+, incentivamos o hábito da leitura como prática de liberdade, construção de identidade e fortalecimento comunitário.

Porque ler também é resistir, crescer e compartilhar. E quando uma história toca alguém, ela nunca termina ali.

📚✨ Vamos juntos espalhar palavras que acolhem, despertam e libertam?


Envie uma mensagem para a Secretaria TVB para participar do projeto.


Biblioteca Pai José

Entre as folhas sagradas, os livros também fazem morada. A Biblioteca Pai José, do Terreiro Vovó Benta, é um espaço de acolhimento ao conhecimento, onde espiritualidade, ancestralidade e saberes populares se encontram. Reunindo títulos sobre Umbanda, religiões afro-brasileiras, espiritualidade, saúde mental, direitos humanos e lutas sociais, a biblioteca é aberta à comunidade, fortalecendo a formação crítica, a fé e o cuidado com a vida. Mais que um acervo, é um ponto de axé onde se planta leitura e se colhe transformação 🦉📖




 
 
 

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Horário das giras:

Segunda a Sexta - 19h às 23h

Sábados - 17h às 21h

Nossa raiz é forte. Nossa fé é antiga. Nosso amor é infinito.

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