Revista Digital
Edição #
47
18 de jul. de 2025
à
24 de jul. de 2025
O Arraial do Terreiro de Umbanda Vovó Benta aconteceu no último domingo e já estamos contando os dias para o próximo! Muita festa, diversão, pratos deliciosos e confraternização preencheram o dia – que também foi abrilhantado pela presença das nossas Noivas Julinas, um arraso a parte! 👰🏻♀️
Com o fim da festa, é hora de retornar aos trabalhos com ainda mais foco, determinação e disciplina, como Seu Curamataí sempre nos propõe. E para isso, já na segunda-feira, Vó Benta nos trouxe sua sabedoria sobre a união e a responsabilidade. No TVB, elas caminham juntas e nos ensinam sobre força e generosidade. Seja nas correntes mediúnicas, na organização de nossos eventos ou na condução dos projetos da Casa, a união e a responsabilidade se fazem essenciais.
São elas que nos mostram que, olhando para o outro e para as necessidades do meio fazemos parte, também aprendemos sobre nós mesmos e sobre nossa caminhada. A união nos convida a criar um compromisso não só com o próximo, mas com um propósito maior e com a nossa verdade. A responsabilidade nos propõe o cuidado com aquilo que amamos e reverenciamos – seja com quem está ao lado ou com nós mesmos.
Na nova edição da Revista Digital do TVB, refletimos sobre a força da união e da responsabilidade com as palavras de Vó Benta em um relato de Pai Luiz de Oxóssi. Você também confere mais ensinamentos colhidos com as giras da semana, além das novidades dos projetos sociais, terapêuticos, artísticos e esportivos que aconteceram por aqui! Separe alguns minutinhos e uma boa leitura! 🩵👵🏾
Giras
Gira de Segunda (Mãe Lilian) - Relato por Pai Luiz de Oxóssi 🏹
Depois da maravilhosa Festa Julina no Arraial TVB, e com alegria revigorada, apesar do cansaço físico, que foi a maratona que culminou com a festa do último final de semana, a gira de segunda-feira abre mais uma semana de trabalhos no Terreiro, com o coração repleto de gratidão por todos aqueles que tornaram aquele evento possível, um carinho especial a todos os funcionários do terreiro que se doaram no atendimento a todos que compareceram, colaboraram e fizeram mais essa grande festa de amor e muito axé.
E justamente esse é o ponto de início para a reflexão feita por Mãe Lilian de Iemanjá. Como está a união em sua vida?
Mas não se trata da união no Terreiro apenas, mas sim em todas as áreas da sua vida – seja no trabalho, no estudo, no seu grupo social, seu grupo de amigos, em casa e com sua família e na união com a espiritualidade. Não na materialidade dos trabalhos, mas muito além disso: com os guias que te acompanham e protegem.
Dependendo da sua estrutura familiar, mas na casa ou local que você vive, cada um tem que estabelecer e respeitar o espaço do outro, e mesmo quem vive sozinho precisa fazer isso consigo mesmo, pois é a partir de você que acontecem as mudanças. Exemplificando: o trabalho que você tem ao chegar em casa e guardar seus sapatos no lugar correto, é o mesmo de largar amontoado em qualquer lugar. A toalha do banho também é o mesmo raciocínio. Quanto a lavar a louça, quem e como faz? Tomar as iniciativas corretas só depende de cada um, e tornar-se um exemplo, é uma boa sugestão, não sendo tolo em fazer tudo somente pelos outros, mas exigindo que cada um tenha consciência do trabalho que isso necessita, e que todos devem colaborar. Não pode ser uma obrigação, pois isso já caracteriza que a pessoa não tem a boa vontade de fazer, mas o faz por ser imposto como obrigatório. É assim que se desenvolve a consciência de que você pode fazer pelo outro na mesma proporção. Isso vai tornar muito mais forte os laços de amizade e respeito. União é você se prestar ao serviço do outro e o outro também esteja a seu serviço, sem cobrança ou obrigatoriedade. Quando acontece naturalmente os trabalhos fluem de forma natural e orgânica. Assim como para a gira: todos devem trazer ervas para o Bate Folhas, pois são os Caboclos, seus guias, que vão usar para o trabalho. Portanto ter essa consciência é fundamental para o bom desenvolvimento dos trabalhos. Essa experiência você deve levar para o seu trabalho e ser o exemplo em fazer e incentivar e estimular os demais a compreender a importância de todos. Seja o exemplo também em sua casa e inspire essa consciência para o bem coletivo em união. O exercício para essa semana serão as ervas para o Bate Folhas e cada um vai pensar como pode fazer para colaboração conjunta com os seus irmãos para providenciar esse elemento essencial para os trabalhos da nossa gira.
Desta forma, encerrada a reflexão, seguiu-se todo rito inicial para abertura dos trabalhos.
Seu Curumatai chegou com sua força e firmeza trazendo a energia de Ogum e suas falanges. Para o Bate Folhas foi chamado Seu Guaracy para trazer a força de Oxossi e seus guerreiros na limpeza dos sentimentos que precisavam ser tratados. Em continuidade após Oxossi, foi convocado Seu Serra Negra que trouxe em toda corrente a força de Xangô e a justiça para consigo mesmo. Dessa forma, todas as três linhas de Caboclos trabalharam em prol daqueles que ali buscam o fortalecimento e cura da depressão e ansiedade. Finalizado o Bate Folhas e passados os banhos para o tratamento da semana, para conclusão dos trabalhos dos Caboclos foi chamada a força de Ogum de Ronda, que com todos os Caboclos de Ogum fez o derradeiro momento da limpeza energética, eliminando quaisquer miasmas que tivessem ficado ou deixados após todos os trabalhos realizados.
Concluídos os trabalhos da primeira parte da gira, Seu Curumataí se despediu e foi a oló.
Na segunda parte dedicada ao trabalho dos Pretos e Pretas Velhas, naturalmente chegou para comandar os trabalhos Vovó Benta. Com todo seu amor saudou e abençoou a todos e logo tratou de chamar Pai Inácio para que juntos firmassem os trabalhos e orientassem a todos os filhos. A primeira coisa que Vó benta chamou a atenção de todos foi para a União da corrente. Pai Inácio falou que a alegria se faz sempre no “cantadô”, não precisa esperar a alegria de um para contagiar o outro, pois um sozinho não consegue fazer por todos. Então precisa de união para trazer juntos a alegria como ele e a Vó fazem ao dançar e alegria quando chegam no centro do Terreiro. A Vó demonstrou chamando um dos meninos para tocar e cantar sozinho e apesar de toda boa vontade e amor, ele teve dificuldade. Mas quando todos juntos iniciaram o canto e toque conjuntamente, logo a alegria tomou conta de todos. Ela disse ainda que pediu a Lia (Mãe Lilian), que falasse sobre união no início da cangira. Foi solicitado assim sobre todos se unirem e trazer ervas para o Bate Folhas. Chamou Mãe Luana e Pai Luiz para junto de si para que dessem seus testemunhos de vivência sobre a união em nossa casa.
Mãe Luana falou sobre todas as festas que acontecem em nossa casa, e que sempre as giras se unem para a realização do evento. Como exemplo usou o que disse aos filhos de sua gira, na sexta, pedindo que comparecessem cedo no sábado para ajudar nos preparativos, pois mesmo ela tendo passado a última quinta-feira sob muita febre, não deixou de preparar os 70 pudins que seriam vendidos na festa. Então o mínimo que ela esperava era poder contar com todos no sábado cedo. Usou isso para exemplificar a responsabilidade, o amor e carinho que se coloca, quando se propõem a fazer algo para o bem maior a todos. E esperamos que todos tenham a voluntariedade de se colocar à disposição expondo a condição e do que se dispõe a fazer. Todos temos nossa família, trabalho, estudo e somos importantes para eles. Lembrou também da orientação da Mãe Lilian em sua época como capitã, de que: “Tudo que desejamos nós conseguimos!”. Podemos nos planejar e fazer com que tudo seja bem organizado, assim é possível realizar todas as coisas a que se propõe. Também lembrou de uma orientação deixada por Seu Serra Negra, onde ele disse sobre comprometimento. E buscar em sua caminhada uma nova razão desse comprometimento é um sinônimo para dedicação e responsabilidade. Então quando se comprometer realmente o faça com empenho. Com comprometimento, sem esperar reconhecimento, pois esse compromisso é consigo mesmo além de todos. Muitas vezes se viu em situações onde só ela estava a fazer determinada função e por vezes pensou: “Por que só eu estou a fazer isso?”. E o aprendizado disso é que só se dá aquilo que se pode ou que se tem, de seu tempo, do seu dinheiro e sua dedicação. E aprendemos com isso que tudo que se doa sempre se recebe muito mais em troca e isso foram vivências práticas, ganhos reais em razão de tudo que foi realizado. E isso não está falando de algum tipo de reconhecimento ou uma guia que seja que esteja usando hoje, foi muita prosperidade, muito amor, compreensão, empatia e paz na vida. O que não pode é entregar algo e já esperar receber outro algo em troca imediatamente.
Pai Luiz levantou a questão simples e direta sobre a colocação das bandeirinhas para festa, e perguntou quantos dali estavam na montagem daquela decoração. Somente três pessoas dali. Afirmou que haviam muitas coisas que qualquer um poderia ter feito, desde uma varrição, ou segurar a escada, colar bandeirinhas, cortar fio, ou até mesmo levar água para quem estava trabalhando.
Então a Vó chamou a atenção de todos pela falta de união evidenciada nos preparativos para a Festa, em que ela viu poucas pessoas realmente envolvidas com a realização desse importante e tradicional evento. Perguntou quantos lá estiveram lá para ajudar e poucas se apresentaram.
Vó benta pegou sua bengala dizendo que assim gostava mais de poder impor sua fala com mais veemência. E podia bater no chão para alertar do seu grau de cobrança e braveza. Ela falou: “A mesa posta da umbanda é posta por todos. Não é um espírito, nem dois, nem sete, são todos! Assim como as ervas cada um pode trazer um galho, cada um deve ter no coração a solidariedade, na caridade e em qualquer coisa que se faça nessa casa, desde cozinhar, recolher as frutas, distribuir os alimentos e tantas outras formas desde uma benção com a luz que sai de suas mãos, ou mesmo um acolhimento a todos que chegam a essa casa, dentre tantas formas de ser útil. Não é só a incorporação, que é apenas uma das formas de dedicação nesta casa. Muitos querem ter ganho, mas não querem colocar nada à mesa. E não se está falando de coisas materiais como dinheiro, o ‘vil metal’. É sobre amor e união pois esse é o maior fundamento desta casa. A união de quando todos cantam o Hino da Umbanda de mãos dadas, é esse sentimento. Uma corrente é feita de devoção de amor e de entrega, de vontade de viver. Vida pulsante além do que sente dentro do seu coração, mas na sua mente e na palma de sua mão. Assim você não só vai se sentir mais como parte desse chão, mas vai se sentir muito mais feliz. E isso não é só nesta casa, será na sua casa, no seu trabalho e onde você estiver. A vida é como uma canção bonita, mas pra essa canção ser bonita não pode um só se levantar e tocar sozinho, é todo mundo junto. Todos sabem e viram do que são capazes”. E ainda falou que deixou que tudo isso acontecesse a olhos vistos de muitos para chamar a atenção. Como durante a reunião que aconteceu naquela noite de sexta, quando muitos olharam e não se dispuseram a ajudar a fazer o que se precisava ser feito. “Será que deveria ser a Mãe Lilian a fazer ou a dizer para fazer? Não carecia de se dispor a fazer e se botar a auxiliar no que fosse necessário naquele momento. Cada um tem olhos pra ver e coração pra sentir e mão pra construir. Isso é tão bonito e aquele que não entendeu precisa parar pra pensar um pouco mais e refletir. Porque essa roupa branca que você veste não é só pra trazer espíritos, é pra você iluminar o seu próprio bem. Não carece de fazer de tudo, mas em alguma coisa seu coração há de se encontrar e vibrar e você pode fazer. Não faça nada “obrigado”, faça com amor e gratidão, não espere que ninguém passe as mãos nas suas costas pra agradecer, porque você não carece de ser pago com palavras ou com abraço, você é pago com o que aprende, carregando seu coração a capacidade que você tem de seu espírito e seu corpo produzir e construir. E quando você aprender isso bem direitinho, você vai entender como os espíritos vivem na espiritualidade, porque nós não fazemos nada sozinhos. O lema do dia é: ‘Eu sem vocês não sou nada!’. Espero que vocês continuem gostando de mim mesmo depois dessa ‘chapuletada’!”.
A Vó quis saber sobre todos os enfeites, e perguntou quem ali estaria disposto para retirada da decoração. Poucas pessoas levantaram a mão. Então a Vó questionou o motivo de não se apresentarem depois de tudo que ela falou. E foi além: “Quem não levantou a mão, é por que não quer? Por que não sabe ou por que não se importa?”. Houve silêncio. “Por que vocês não se botam ao trabalho? Por falta de tempo, não tem gosto por isso? Os coloridos foram colocados para alegrar a todos que estão aqui”. Ela pediu apenas a boa vontade. Ainda eram poucos a se pronunciar. Pai Inácio alertou que nessa gira tão bonita e feita para o atendimento às famílias, que uma senzala tão bonita deve ser pelo amor e união de toda família. Assim a Vó estendeu o convite a toda assistência, que se apresentaram também. E pediu para que fossem anotados todos os nomes daqueles que levantaram a mão. E marcou que em exatamente três semanas, vão se reunir e fazer a retirada de todas as bandeiras e ficou de providenciar uma deliciosa feijoada para aqueles que se voluntariaram.
Logo em seguida chamou Vó Chica e Vó Maria Conga para realizar os atendimentos à assistência, e depois pediu para que os médiuns de atendimento trouxessem os Pretos e Pretas Velhas, porém orientou que cada um já pegasse a sua xícara para que antes do início dos atendimentos todos se colocassem à sua frente, pois havia de ter uma prosa com todos Pretos antes de iniciarem os atendimentos. Assim foi feito e depois de todos estarem à sua frente, falou sobre como era o sentimento de união entre todos em sua época de vivência na senzala. Que apesar de todas as dificuldades, o que os mantinha vivos era a união, respeito e cuidado mútuos. Então questionou o motivo pelo qual muitos dos cavalos não se colocaram à disposição quando ela solicitou. Sem esperar por resposta, cobrou deles que antes de iniciarem os trabalhos se colocassem à frente de seus filhos para orientar sobre a importância do fazer em conjunto e da necessidade de compreender que nesta casa todos são por todos. E não há distinção de nenhum ser melhor nem pior que ninguém, todos fazem parte de uma só família e precisam se dar as mãos para alcançar o bem maior a todos.
Vó benta fez uma linda oração: “Em nome de Deus Pai, nos rogamos e suplicamos pela luz da consciência e do amor em toda sua profundidade, meu Pai, trazendo a caridade a cada um diante de seus olhos. O fazer pelo outro é fazer por si mesmo. Fazer somente para si é perda de tempo. Cada dia, cada semana, cada vida só tem gosto e sabor quando é vivida em união, na partilha, na caridade e na solidariedade. Que assim seja!”.
Vó deixou o tempo para que cada médium conversasse com seu cavalo. Disse que entende todos os afazeres da vida de cada um que está na terra, mas não entende a indiferença e a soberba de achar que só tem que fazer o que é importante. A cabeça deve pensar e o coração deve sentir.
Seguiu-se o atendimento à assistência enquanto foram chamadas as crianças para trazer a alegria por todo o Terreiro. E após finalizados os atendimentos e subida dos Pretos e Pretas Velhas, Vó Benta chamou toda engoma para conversar junto com Pai Inácio, e também mais algumas pessoas que precisava orientar. Determinou que Pai Luiz se reunisse com toda corrente para realizar o ritual de fechamento da cangira e encerramento dos trabalhos, e permaneceu em terra para dar todas as diretrizes necessárias.
Gratidão a Vovó Benta pelas maravilhosas orientações!
Saravá Vovó Benta!
Saravá Pai Inácio e todos os Pretos Velhos!
Saravá todos vocês! ☕🌿
Gira de Terça-Feira (Pai Gustavo) - Relato por médium Mari de Xangô
Na última terça-feira, a gira começou com uma reflexão sobre o ato de compartilhar. Ainda durante a reflexão dos médiuns – que estavam deitados em direção à firmeza do Terreiro, concentrando-se para os trabalhos que logo se iniciariam –, Pai Gustavo de Oxóssi pediu para todos pensassem naquilo que estavam trazendo para a gira do dia. Tristeza? Alegria? Tranquilidade? Independente do que fosse, era preciso compartilhar. Colocar para fora e deixar transbordar, em uma energia de troca. E com a ajuda e força dos Exús, que já estavam trabalhando espiritualmente, que pudéssemos transmutar sentimentos que não fizessem bem – abrindo espaço para o melhor de nós, para aquilo que aprendemos durante a caminhada, com espíritos encarnados ou desencarnados.
Após os recados da semana, Pai Gustavo ainda completou a reflexão: trouxe o exemplo de uma biblioteca, que está sempre cheia dos mais variados títulos, temas, histórias. Mesmo diferentes, eles se complementam e são capazes de nos levar para vários ensinamentos. Para ele, o Terreiro é como uma biblioteca e cada médium é um livro cheio de histórias e ensinamentos. Mas para que isso possa ser acessado e compartilhado, é preciso que o livro esteja aberto, esteja disponível. Assim finalizamos a reflexão do dia: que possamos sempre compartilhar com um irmão, uma irmã, aquilo que temos de melhor – mesmo que não seja necessariamente alegria; que possamos nos permitir também ser consolados quando preciso, receber uma palavra de afeto, não apenas dos espíritos desencarnados, mas dos encarnados também.
Após a reflexão e o rito inicial, S. Ubirajara chegou em terra para iniciar os trabalhos da noite. Para auxiliá-lo, Cabocla Jurema e S. Guaracy também chegaram e trouxeram a força dos caboclos de Oxóssi para a vibração das Sete Linhas. Erês e toda a força de Oxum também chegaram para a limpeza energética de todos. Durante o momento de cura, as águas serenas de Nanã Buruquê e as palhas de Omolú envolveram toda a assistência – trazendo renovação dos sentimentos e trabalhando na cura do nosso interior.
Na segunda parte da gira, S. Sete Encruzilhadas chegou e, junto dele, os Exús vieram para conduzir o atendimento dos consulentes. Após todos serem atendidos e antes do fim da gira, os cambones também puderam conversar com os espíritos que os acompanham para orientação e acolhimento. Com a ida de todos, encerramos a gira com a oração final e limpeza e organização do Terreiro. Laroyê! ❤️🔥🔱
Gira de Quarta-Feira (Mãe Luane) - Relato por médium Aryane de Iansã
Seu Caboclo do Mar chegou trazendo a força de Ogum para os trabalhos e assim iniciamos a vibração. A assistência estava mais enxuta, com cerca de 50 pessoas – tornando os trabalhos e trocas ainda mais íntimos e profundos. Foi pedido a subida dos Caboclos, para que a força das Caboclas da Jurema também trouxesse seu axé.
Após o momento do “coração com o coração”, como S. Caboclo do Mar chama – o momento da troca de abraços, começaram as cirurgias espirituais. Tivemos 14 pessoas sendo atendidas e todas foram cuidadas em uma única rodada, com muita firmeza e fluidez.
Quando a cirurgia terminou e a corrente já estava formada, Seu Caboclo do Mar trouxe uma reflexão importante: qual o limite para se pedir ajuda?. Ele falou sobre como o medo, a vergonha e os receios não resolvem nada, e que todos precisam entender que é muito mais assertivo — e menos dolorido — quando se tem coragem de pedir ajuda. Na sequência, chamou a força dos Caboclos de Oxóssi, para que a sabedoria e o entendimento das palavras ditas ficassem com cada um.
Na segunda parte da gira, para alegria de muitos, recebemos com muito carinho Vó Ana, que chegou com seu olhar manso e seu trabalho firme. Ela explicou que aquela noite seria um “cadinho” diferente… Todos teriam a oportunidade de trazer a força dos Caboclos de Xangô para uma conversa sobre suas próprias necessidades. Com a assistência já tranquila, e apenas duas pessoas em atendimento, os filhos da corrente puderam se sentar e ouvir o que os Caboclos que os acompanham tinham a ensinar. Foi uma noite especial, de força, cuidado e muito aprendizado 🍃🍂
Gira de Quinta-Feira (Mãe Luana) - Relato por Capitão Alan de Ogum
Mais uma vez fui convidado a relatar a gira de quinta-feira, e fico feliz por isso. Ontem, quem conduziu os trabalhos foi a Mãe Luana, acompanhada do Pai Gustavo. Filha de Xangô, Mãe Luana traz uma energia mais serena, que se refletiu com muita harmonia durante toda a gira. Na reflexão inicial, ela compartilhou uma vivência muito pessoal: falou sobre o valor da família, não apenas a de sangue, mas também a família que escolhemos construir e a que formamos dentro da espiritualidade. Contou que, em sua família de origem, não havia o costume de dizer “eu te amo”, mas que aprendeu isso com a família do Pai Gustavo, onde expressar afeto é hábito, com palavras ditas sem medo, toda vez que alguém sai ou chega. E refletiu que esse amor simples, cotidiano, é o que sustenta qualquer núcleo de luz. Essa percepção se intensificou quando ela relembrou um retiro que vivenciou no próprio terreiro, e o momento em que caiu a ficha: enquanto ela estava ali se dedicando, outras pessoas estavam por trás preparando cada detalhe. Comida, limpeza, estrutura. E ela entendeu, de forma profunda, que aquilo também era amor… fazer pelo outro sem esperar nada em troca.
Diferente do costume de termos um caboclo de Ogum à frente do congá, foi Seu Serra Negra quem comandou os trabalhos. E, junto dele, os caboclos de Xangô conduziram a vibração. Com sua firmeza serena, ele trouxe uma condução centrada e respeitosa. O maior exemplo disso foi quando fez questão de respeitar o tempo das coisas: só autorizou a montagem das macas após a última pessoa da assistência deixar o tablado, lembrando a todos que espiritualidade não é pressa, é presença. Tivemos três levas de macas, com atendimentos realizados por diversos povos: caboclos de Oxóssi, o Povo do Fogo, o povo do Oriente, além de crianças e Iabás. Cada energia trazendo sua medicina. Uma diversidade linda e muito viva.
Após o intervalo, como previsto, os atendimentos foram com os Ciganos. A cigana Sulamita conduziu os trabalhos da segunda parte com maestria, ao lado dos outros ciganos presentes. Como é característico dessa egrégora, os atendimentos foram sutis, mas intensos. Os ciganos não costumam riscar pontos, fazem pouco ou nenhum uso do tabaco, mas manipulam a energia com precisão rara. Foram mais de 40 atendimentos, mostrando o quanto esse povo sabe abrir caminhos (e olhos). Ao final, cigana Sulamita reuniu todos os ciganos ao centro do terreiro. E trouxe uma fala que marcou: ela falou sobre a verdadeira riqueza. Um ensinamento que, para muitos, soa até contraditório. Afinal, quando se fala em ciganos, ainda há quem pense apenas em ouro, moedas, danças e festas. Mas ali foi dito com clareza: nenhuma dessas riquezas vai conosco para o outro lado. Que a verdadeira fortuna é o amor que deixamos e os vínculos que cultivamos. O cigano que acompanha Pai Amilton reforçou: “ao fim dessa correria louca que vocês vivem, todos vocês passam pro lado de cá”. E ali, não se leva mais do que o que foi vivido de forma verdadeira. Outro cigano presente falou sobre sintonia e sobre como o excesso de estereótipos nos impede de sentir e se conectar com o cigano que caminha ao nosso lado. Ciganos não são todos iguais. Há ciganos hispânicos, africanos, árabes, asiáticos e eslavos. E cada um carrega sua cultura, sua forma de trabalhar, seu modo de amar. Se nos prendemos a uma imagem fixa, corremos o risco de nunca escutar quem de fato nos acompanha e tanto nos quer bem.
A gira encerrou com esse chamado à presença, à humildade e ao afeto. A presença do Seu Serra Negra, dos ciganos, dos caboclos, dos erês e de toda a corrente reforçou um ponto essencial: espiritualidade é, antes de tudo, família. E como toda família, não precisa ser perfeita. Só precisa ser de verdade! 🪭🛞
Gira de Sábado (Mãe Luane) - Relato por Mãe Lu de Iemanjá
Iniciando mais uma gira de sábado com a corrente, convidei à todos para refletir sobre os momentos de crise. Será que já sabemos reconhecer os fatores que nos levam a não dar conta de maneira tranquila e chegamos à crise? Sejam eles fatores físicos, emocionais, psicológicos, sociais. É preciso saber agir na prevenção da crise do que intervir diretamente nela, pois quando estamos neste momento intenso, tudo é muito forte - e se torna difícil ser racional para resolução, pois só desejamos que a dor, o sofrimento ou a sobrecarga passe. Não há uma receita pronta - é preciso que cada um se conheça um pouco mais para então, ser mais assertivo para não chegar ao seu limite.
Após, começamos mais um ritual forte para preparação dos trabalhos da noite. Caboclo do Mar chegou com toda sua serenidade e conduziu os trabalhos, que contaram com as forças dos demais caboclos de Ogum, Oxóssi e Xangô, assim como das Iabás. Na segunda parte da gira, Vó Ana chegou para celebrar a união e a longa caminhada de dois médiuns da corrente. Ela, junto dos Erês, celebraram com alegria e amor. Após, os Pretos Velhos e Pretas Velhas nos abençoaram com suas presenças para os atendimentos de consulta do dia 🕯️📿
Projetos esportivos
Dança do ventre
Apesar de algumas ausências por conta do período de férias, nossa turma não perdeu o ritmo nem a energia. As mulheres incríveis que estavam presentes se dedicaram a um belo estudo de molduras com os braços, explorando a leveza e a expressividade desse gesto tão marcante da dança do ventre.
No ensaio, os véus foram escolhidos como protagonistas da nova coreografia, trazendo uma atmosfera lúdica, envolvente e cheia de magia para os nossos movimentos.
Seguimos dançando com alma, presença e beleza! ✨💃🏼
Dança cigana
Na segunda-feira, durante a aula, nosso grupo ensaiou com muito carinho e dedicação as apresentações da Dança Cigana. E na quarta-feira, tivemos a honra de representar esse lindo projeto, realizado pelo TVB, na ONG Renascer — um espaço que acolhe idosos, muitos dos quais já haviam perdido a esperança e o brilho nos olhos.
Em Colombo, o grupo Cigano levou suas cores vibrantes, seus movimentos cheios de vida e a energia transformadora da arte, tocando corações e resgatando sorrisos!
Nossa gratidão a esse espaço abençoado, que transforma vidas de dentro pra fora — especialmente em tempos em que a aparência parece valer mais que a essência. Aqui, a diferença é feita com alma e afeto.
Abençoados sejam cada um de vocês que tornam isso possível! ✨🙏🏼✨
Projetos terapêuticos
Terapias integrativas
Nesta semana, vivemos momentos de profundo cuidado e entrega com as terapias integrativas no Vó Benta. Foram mais de 60 atendimentos presenciais, entre pessoas e pets, fortalecendo o elo entre corpo, mente e espírito.
Além disso, os atendimentos à distância seguiram firmes, levando acolhimento e equilíbrio a quem, por qualquer motivo, não pôde estar presencialmente, mas ainda assim sentiu o toque sutil da cura que atravessa o tempo e o espaço.
A cada sessão, reafirmamos nosso compromisso com uma escuta sensível e um cuidado que respeita os caminhos individuais de cura. Gratidão a todos que confiam nesse trabalho e compartilham essa jornada conosco.
Paz, luz e saúde! 🕉️🌟
Projetos sociais
Feira Solidária/Xepa Solidária
Nesta semana, a Xepa Solidária colheu mais que alimentos: colheu gestos de amor, cuidado e transformação. Ao todo, foram 569,70 kg de alimentos resgatados, que seriam descartados, mas que agora vão encher muitas mesas com sabor, saúde e dignidade.
Confira os números da coleta:
Confira os números da coleta:
🥕 Feira do Alto da Glória: 165 kg
🍌 Feira do Cajuru: 125,90 kg
🍍 Feira das Mercês: 279 kg
Esses alimentos foram cuidadosamente selecionados por mãos generosas que acreditam no poder da partilha e do respeito à vida — humana e da natureza.
Mas esse trabalho só é possível graças à força dos voluntários. E precisamos de mais corações dispostos a ajudar! Se você sente o chamado para contribuir com esse movimento de amor e sustentabilidade, venha com a gente! Seja na coleta, na triagem ou na entrega, toda ajuda é bem-vinda e faz a diferença.
A Xepa Solidária é mais que um projeto — é um ato de fé na abundância, na solidariedade e no cuidado com o próximo.
✨ Junte-se a nós e ajude a transformar alimento em afeto. ✨
Marmita Solidária
Nesta semana, a Marmita Solidária mais uma vez aqueceu corpos e corações. Com muito carinho e dedicação, foram preparadas e distribuídas dezenas de marmitas, levando não apenas alimento, mas também dignidade, acolhimento e escuta a quem mais precisa.
Cada tempero carrega a intenção de cuidado. Cada entrega é um gesto de amor. E cada sorriso recebido reafirma o sentido deste projeto: alimentar não só o corpo, mas também a esperança.
Nosso agradecimento a todos os envolvidos — seja na cozinha, nas doações, na entrega ou nas orações. É a força coletiva que transforma pequenas ações em grandes gestos de humanidade.
Seguimos juntos, com amor no coração e comida quentinha nas mãos. ✨ Gratidão a todos que fazem parte dessa rede do bem!
Projetos culturais
Crochêterapia
🧶✨ O encontro da Crocheterapia nesta terça-feira rendeu muito mais do que pontos e fios entrelaçados — entrelaçou também sorrisos, conversas e os corações de quem participou. Cada ponto foi um convite à presença, à escuta e ao afeto partilhado. Na foto, pode-se conferir alguns dos projetos realizados pelas participantes do grupo!
E lembre-se: o projeto é aberto a todos que desejam participar, aprender e trocar boas energias. Venha fazer parte dessa rede de acolhimento e criatividade! 💜

Leia+
No último sábado, tivemos mais um encontro inspirador do Projeto Leia+, um espaço de escuta, reflexão e trocas sinceras por meio da literatura e da arte.
O ponto de partida foi o impactante livro "Eu que nunca conheci os homens", de Jacqueline Harpman. A obra, cheia de silêncio e mistério, abriu caminhos para debates profundos sobre liberdade, identidade, solidão e sobrevivência. As reflexões foram além das páginas, estendendo-se a experiências pessoais, interpretações simbólicas e até às entrelinhas que a autora nos deixa decifrar.
Mas o nosso diálogo não parou por aí — conversamos também sobre outras obras literárias, filmes, séries e referências que dialogam com os mesmos temas, criando uma verdadeira rede de sentidos compartilhados.
A cada encontro, o Leia+ mostra que ler em grupo é muito mais do que interpretar palavras: é reconhecer no outro um espelho, uma escuta e, muitas vezes, uma nova forma de enxergar o mundo.
Agradecemos a todos que participaram com o coração aberto. E se você ainda não veio, fica o convite: nossos encontros são para todos que desejam mergulhar na leitura e sair transformados.
Até o próximo Leia+! 💬📖

Livro sugestão (debatido no Leia+):

Neste romance enigmático e profundamente existencial, acompanhamos a história de uma mulher sem nome, a mais jovem entre 40 mulheres mantidas em cativeiro dentro de uma espécie de prisão subterrânea, vigiada por guardas que nunca falam e onde ninguém sabe o porquê de estarem ali.
A protagonista — que, diferente das outras, não tem lembranças de uma vida anterior — narra com frieza e lucidez a rotina, a espera, o silêncio e a ausência total de respostas. Um dia, por um acaso, às portas da prisão se abrem, e as mulheres se veem lançadas em um mundo desolado, sem sinais de civilização, onde precisam sobreviver, mas, principalmente, conviver com a ausência de sentido.
Com uma escrita seca e cortante, Harpman nos leva por uma jornada filosófica sobre a existência, o tempo, a memória e o que significa ser humano quando tudo que estrutura a vida (sociedade, linguagem, afeto, cultura) se desfaz.










































































































