Revista Digital
Edição #
48
28 de jul. de 2025
à
31 de jul. de 2025
Em mais uma semana de muito movimento, dedicação e axé, temos muitos a falar sobre todas as frentes de trabalho na Casa da Vó Benta! Mas, muito mais do que falar, temos a ouvir!
Mais do que nunca, é preciso saber silenciar para se colocar atento e ouvir o que de mais valioso a espiritualidade nos coloca: os ensinamentos pelas palavras benditas que cada espírito benevolente nos abençoou, em cada gira desta semana! Os sorrisos de agradecimento de todos aqueles que foram acalentados por uma refeição quente feita com amor ou por frutas e legumes frescos colhidos, doados e entregues com dedicação. O corpo que se cansa no movimento físico através da dança ou da luta, que torna mentes mais capazes de se encontrar e se reconstruir.
Por muito, já aprendemos: só é capaz de escutar aquele que se dispõe! E, além de vivenciar o que a Umbanda nos propõe na prática, é preciso estudar! E a melhor forma de fazer isto é em família: neste próximo sábado (02/08) haverá o segundo encontro na imersão dos desenvolvimentos mediúnicos voltados para os trabalhos sobre saúde mental. Onde além de um encontro teórico teremos também a oportunidade de olhar para nós mesmos através da guiança e direcionamento dos mensageiros, protetores e guardiões, os Exus.
Nos vemos lá!
Giras
Gira de Segunda (Mãe Lilian) 🌊 - Relato por Pai Luiz de Oxóssi 🌿
Na gira desta segunda-feira, Mãe Lilian de Iemanjá iniciou os trabalhos com uma reflexão delicada, mas profunda, sobre energia e autocuidado. Diante das demandas do dia a dia, muitas vezes deixamos de perceber como estamos por dentro. Sentir-se, identificar o que nos faz bem ou mal, reconhecer os sinais do corpo e do espírito: tudo isso foi lembrado como um exercício diário de amor-próprio e equilíbrio. A mensagem era clara — antes de agir, é preciso se perceber. E cuidar da energia é um passo essencial para viver com mais verdade e leveza. Após esse momento de introspecção, os trabalhos espirituais foram abertos com a saudação a Pai Fernando de Ogum, nosso grande fundador e guia da raiz do Terreiro do Pai Maneco. Sua presença foi reverenciada com amor, honra e gratidão por sua caminhada de fé.
Com muita alegria, recebemos a chegada de Vó Benta, que conduziu as firmezas da gira e convocou os Pretos Velhos — Vó Maria Conga e Pai Joaquim — para trazerem bênçãos e acolhimento à assistência. Com sua sabedoria ancestral, eles atenderam com doçura todos aqueles que buscaram alívio, orientação e cura. Houve também a presença da energia dos Caboclos de Oxóssi, liderados por Seu Ubiratã, os curumins e as Iabás, que limparam as tristezas e medos e renovaram os corações com amor e vitalidade.
Ainda nesta gira, presenciamos momentos especiais de firmezas espirituais, com cruzamentos importantes de médiuns que assumiram novas responsabilidades na corrente. As capitãs da casa foram confirmadas com emoção e força, assumindo suas guias sob a bênção dos guias e Orixás, fortalecendo ainda mais os pilares da fé coletiva.
Na segunda parte da gira, a força da esquerda foi saudada com respeito e reverência. Mãe Lilian recebeu a presença de Vó Rita, trazendo a força de Nanã, seguida por Seu Tatá Caveira, que firmou os trabalhos da Quimbanda junto a outros Exus. Os atendimentos seguiram com acolhimento e direcionamento às famílias e a todos que buscavam equilíbrio emocional e espiritual.
Ao fim da gira, a vibração era de gratidão. Cada guia, cada entidade, cada canto e cada folha teve seu papel na construção de uma noite de cura, entrega e renovação. Que possamos seguir atentos às nossas energias, sem ignorar o que sentimos, e confiando na força que nos sustenta — dentro e fora do terreiro.
Saravá aos Pretos Velhos!Saravá à Vó Benta!Saravá a toda corrente de luz!
Gira de Terça-Feira (Pai Gustavo) - Relato por Mãe Cris de Iansã ⚡
Nesta terça-feira Pai Gustavo de Oxossi iniciou a reflexão trazendo com a engoma a força dos caboclos. Reverenciando a sabedoria de Oxóssi, a determinação de Ogum e a força da justiça e equilíbrio de Xangô.
Ao iniciar o ritual de abertura da gira fez referência aos ensinamentos do Pai Fernando de Ogum, fundador do Terreiro Pai Maneco, raiz da nossa casa, falando sobre a transparência da Umbanda. O sagrado não precisa ter segredos. A Umbanda é fundamento.
Após abertura da gira, S. Ubirajara chegou trazendo força e vitalidade. Conduziu o passe e descarrego com ajuda do Caboclo Girassol e do Caboclo Roxo. Após, na ferradura de cura, as forças das águas se fizeram presente encerrando a primeira parte com Iansã. Após o intervalo a força de Xangô e Ogum se fizeram presentes para direcionar os atendimentos daqueles que buscavam por orientações.
Gira de Terça-Feira (Corrente Ilha do Mel)
Nesta semana, não realizamos a gira na Ilha do Mel devido às ausências causadas pelas férias do meio do ano. Mesmo sem os trabalhos presenciais, os médiuns seguiram realizando seus cuidados energéticos, conforme as orientações espirituais, mantendo-se conectados com fé, disciplina e amor. Que cada banho, prece e firmeza feitos fortaleçam todas as caminhadas até o próximo encontro! Axé! 🐚🍃🌊
Gira de Quarta-Feira (Pai Raphael) - Relato por Pai Raphael de Ogum 🛡️
Pai Raphael iniciou a gira convidando a todos para refletir: quanto você tem se deixado sabotar por situações que fogem ao seu controle? Quantas vezes criou expectativas sem sequer saber se havia possibilidade real de dar certo? Por isso, é fundamental manter os pés no chão, provocar as mudanças com merecimento, confiar em si mesmo e compreender que a caminhada — seja ela qual for — é sua, e não pertence a absolutamente ninguém. Confie no seu caminho, valorize o seu saber. Busque, faça por merecer, conquiste — com muito trabalho, dedicação e fé.
Com S. Tucumã em terra e a força de Ogum já estabelecida, foram realizados 16 atendimentos nas macas. Ao segundo momento, a presença do Pai Velho, trouxe a alegria dos Ciganos para os atendimentos a nossa assistência, logo após as consultas, os Boiadeiros, Baianos e Marinheiros se fizeram presentes energizando e alegrando a todos.
Gira de Quinta-Feira (Mãe Lilian) 🌊 - Relato por Capitão Alan de Ogum ⚔️
Nesta quinta-feira a nossa casa estava diferente, mas no melhor sentido possível. Depois de algumas semanas ausente por conta dos compromissos esportivos do seu filho de sangue, João, Mãe Lilian retornou ao terreiro para conduzir a gira de quinta-feira. E trouxe com ela uma forte reflexão: o “ser”.
Ela compartilhou vivências pessoais sobre o que é ser mãe (de sangue), ser mulher, ser mãe de santo, e ser espírito em evolução. Falou sobre a experiência de acompanhar o filho crescendo, ganhando o mundo e exigindo cada vez menos da figura materna no dia a dia. Algo que dói, claro, mas que também liberta. Uma dor que revela a beleza da transição, do desapego e da transformação constante. E ao mesmo tempo, uma porta que se abre para que ela se reencontre com outras camadas do seu próprio ser. (Neste ponto inclusive, enquanto escrevo esse texto, consigo ver conexões sobre a fala da vá lá no final da gira.)
Nesse reencontro, Mãe Lilian nos convidou a refletir: "Como está o seu ser? Você tem conseguido ser aquilo que sente que veio ser nesse mundo? Tem honrado a sua missão encarnatória? Tem sentido orgulho de quem você é e do que representa?"
O "ser", nesse contexto, é o centro. O ser inteiro. O ser amor. O ser semente. O ser caminho.
A gira também foi marcada por uma homenagem carregada de emoção: o "aniversário de libertação" do Pai Fernando, cavalo de seu Akuan e pai de santo que literalmente ensinou a Umbanda à Mãe Lilian. Muitos anos se passaram desde sua passagem, mas sua presença continua viva no axé da casa e no coração de sua filha espiritual. Pai Fernando foi lembrado não apenas como sacerdote, mas como elo de fé que abriu caminhos para todos nós que seguimos sua raiz. Saravá pemba, saravá toalha, saravá nosso congá!
Nos trabalhos espirituais, a noite foi potente. A primeira parte da gira contou com duas levas de atendimentos nas macas, com os Caboclos à frente, acompanhados da força de cura do Povo do Fogo, da sabedoria ancestral do Povo do Oriente e da suavidade das Iabás. A limpeza final ficou por conta de Iansã, que girou no centro do terreiro com sua ventania, transformando e levando embora tudo o que não precisava mais estar ali.
Na segunda parte, os Pretos Velhos tomaram o espaço com toda sua doçura e sabedoria. A gira teve um formato diferente: além dos atendimentos nos tocos, uma ferradura de bancos foi formada ao centro do terreiro, convidando a assistência a entrar e receber conselhos diretos dos pretos e pretas velhas autorizados a conversar com os presentes. Vovó Benta, acompanhada de Erê Mateuzinho, esteve à frente de todo o trabalho, conduzindo não apenas os atendimentos, mas também mais uma de suas reflexões…
A fala trouxe um ensinamento profundo e marcante. Com sua calma habitual, Vó Benta nos guiou a uma reflexão sobre a presença constante dos Orixás Nanã e Omolú em nossas vidas. Uma fala que ganha ainda mais peso ao considerar o momento único vivido pela casa, que nessa semana recebeu a autorização para que guias desses Orixás fossem confeccionadas e utilizadas pela corrente.
Vó explicou que Nanã é o nosso nascimento: a força que nos forma a partir do barro, o sopro que nos coloca de pé. Já Omulu é a força que nos acompanha silenciosamente ao longo da vida, mesmo que muitos só se lembram dele diante da doença ou da morte. Inícios e fins. O ciclo da vida.
“Enquanto você estiver dentro desse corpo, Nanã vibra em você. E Omulu também.”
Com corações tocados e energias renovadas, a gira foi encerrada com a certeza de que tudo estava como deveria estar. Um terreiro cheio de axé, de memória, de sabedoria e, acima de tudo, de vida!
Saravá Pai Fernando de Ogum! Saravá Vovó Benta! Saravá todos os Orixás e Guias que sustentam nossa fé!
Projetos esportivos
Dança do ventre
Mesmo com algumas ainda em ritmo de férias, nossa roda de dança do ventre seguiu cheia de presença e sensibilidade.
Nesta semana, mergulhamos no universo do tarab — um conceito profundo da cultura árabe que nos convida a sentir a música com o coração antes do corpo. As alunas foram estimuladas a escutar com atenção, deixando que os sons guiassem os movimentos de forma mais orgânica e emotiva.
Trabalhamos movimentos sinuosos, explorando a fluidez, a conexão interna e a expressão que nasce quando corpo e som se encontram em harmonia.
Seguimos dançando, sentindo e aprendendo — com leveza, beleza e profundidade. 🌙🌺
Capoeire-se
No Capoeire-se Kids, recebemos crianças de 2 a 13 anos no nosso Quilombinho, iniciando com uma roda de conversa onde compartilham sentimentos, vivências e curiosidades da semana. Em seguida, se dividem por faixas etárias para explorar estações temáticas de capoeira: movimentos, ginga, música e roda. É com entusiasmo que elas se lançam nessa arte, despertando o corpo, a escuta e o senso de coletividade com leveza e criatividade.
Já com nossos grandões, a aula teve como foco o despertar físico e emocional por meio de práticas somáticas, ginga consciente e imaginação ativa. O bloco principal foi dedicado ao improviso e às movimentações fluidas, com atenção ao domínio corporal, tempo e espaço. Encerramos com um momento de relaxamento e automassagem, integrando corpo e presença em um estado de escuta profunda.
Capoeire-se é mais do que aula: é experiência, afeto e liberdade em movimento. 🌿🎶
Projetos terapêuticos
Terapias integrativas
Nesta semana, as terapias integrativas seguiram acontecendo com muita entrega e conexão. A reflexão que guiou os trabalhos foi: “Estamos realmente nos abrindo para que o propósito divino se realize?”
Foram realizados cerca de 50 atendimentos presenciais e mais de 170 atendimentos à distância, fortalecendo vínculos, curas e propósitos. Gratidão a todos que se colocaram em abertura e confiança. Que a luz siga guiando cada passo. 🌱🌟
Projetos sociais
Feira/Xepa Solidária
Em mais uma semana iluminada de trabalhos voluntários, muito alimento, nutrição e amor foi levado para aqueles que precisam! A equipe, entre coleta, separação e entrega, contou com 29 voluntários! E mais uma vez, o projeto mostra que mesmo com adversidades que possam surgir, quando estamos com os corações e os propósitos alinhados para doar à quem precisa, conseguimos compartilhar o bem e ajudar inúmeras pessoas! Olha só como foi a colheita dessa semana, totalizando 451kg de alimento!
Coleta Cajuru: 282,80kg
Coleta 29 de Março: 168,20kg
Total destinado para comunidade: 412,50kg
Total para compostagem: 38,5kg
Marmita Solidária
Nesta semana, foram entregues mais 700 refeições preparadas com cuidado e dedicação pelos voluntários do projeto. Essas marmitas chegaram às mãos da comunidade do Bairro Alto e também da população em situação de vulnerabilidade no centro de Curitiba.
Mais do que alimento, levamos acolhimento, respeito e afeto a quem precisa. Gratidão imensa a cada mão que colabora, cozinha, embala e entrega. Que a corrente de amor e solidariedade siga firme e aquecida. 🌿✨
Projetos culturais
Crochêterapia
O encontro desta semana foi guiado pela sabedoria das mandalas, tecidas em crochê com cuidado, cor e intenção. As mandalas nos ajudam a organizar pensamentos e sentimentos, pois seu formato circular simboliza equilíbrio, centro e totalidade. Ao criá-las, entramos em contato com nosso próprio eixo interno.
Além das mandalas, outras produções em fio também ganharam forma, refletindo a criatividade e a expressão de cada participante. Entre pontos e silêncios, seguimos tecendo não só peças, mas também vínculos, escutas e momentos de reconexão.Que venham mais encontros assim: de dentro pra fora, de dentro pra dentro. 🌸🌀
Leia+
Agora em dois caminhos, mas com o mesmo axé! ✨📚O projeto se dividirá em dois grupos, abraçando quem desejar:
📖 Grupo de leitura continuada

Para os leitores já habituais, iniciamos com a leitura conjunta da obra Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Por ser uma leitura densa, extensa e profundamente impactante (quase mil páginas!), os encontros são dedicados ao debate dos capítulos lidos individualmente, permitindo trocas mais ricas e reflexivas sobre essa narrativa potente.
🌿 Grupo de leitura iniciantes – Leituras umbandistas presenciais
Para quem deseja começar a cultivar o hábito da leitura, teremos encontros presenciais com leituras umbandistas feitas em conjunto, com foco em vivenciar o momento presente, refletir sobre os ensinamentos e criar um tempo de qualidade através das palavras e das trocas.
Duas propostas, uma mesma intenção: fazer da leitura um ponto de encontro com o outro, com a espiritualidade e consigo. Chegue como puder, leia como quiser. O importante é estar. 🌺📚
Para saber como participar, basta falar com a Secretaria do TVB!












































































