Edição #53
- Terreiro Vovó Benta

- 7 de set. de 2025
- 19 min de leitura
29 de ago. de 2025 à 04 de set. de 2025
A semana começou com muita alegria na gira de segunda, marcada pelo casamento dos filhos de santo Alberto e Elenise. A cerimônia, conduzida por Seu Curumataí, celebrou não apenas a união do casal, mas também a bênção da família espiritual. A troca de coroas de flores, o pão e o vinho, e o abraço coletivo da corrente foram momentos de muita emoção, mostrando como os projetos do TVB fortalecem laços profundos de amizade, carinho e cumplicidade. 💙💚
Já na gira de quinta-feira, enquanto Dona Maria Padilha das Almas era esperada, foi outra rainha que se fez presente com todo seu amor e simplicidade: Vó Benta esteve em terra. Ela trouxe acolhimento, cuidado e serenidade em momentos de dor, como no desencarne do querido Leal de Oxóssi, oferecendo conforto à família e à corrente. Sua orientação lembrou a todos sobre a importância da vida, da entrega e da presença consciente no agora, mesmo diante da perda. 💛
O sábado fechou a semana com a imersão de desenvolvimento dos médiuns. Os trabalhos destacaram a importância de encerrar ciclos, reiniciar e se renovar, sempre em união. A força de Nanã e Omolú esteve presente, mostrando como lidar com o que não nos serve mais e perceber o real sentido de nossa existência. A entrega e a presença de cada médium revelaram a beleza de trabalhar em família de santo. 🌿
Nos projetos do TVB, o destaque ficou para a Marmita Solidária, com mais de 700 refeições servidas nesta semana, e para a Xepa Solidária, com mais de 400kg de alimento recolhidos e redistribuídos, fortalecendo a rede de cuidado e partilha. Os projetos esportivos e terapêuticos também se destacaram: capoeira, muay thai, dança do ventre, crochêterapia e atendimentos integrativos continuaram promovendo saúde, bem-estar e conexão entre participantes, reforçando o propósito do terreiro de unir fé, ação e cuidado comunitário. 🍲🧶💪
Giras
Gira de Segunda (Mãe Lilian) - Relato por Pai Luiz de Oxóssi 🍃
Uma gira especialmente alegre, cheia de energia e fé, abriu a primeira semana de setembro nesta segunda-feira. Ela aconteceu logo após o final de semana em que vivenciamos a terceira Imersão e Gira de Desenvolvimento. Mãe Lilian destacou a importância da Imersão como espaço de formação, desenvolvimento e preparação para os atendimentos em todas as cangiras. O tema central da última Imersão foi “O sentido da vida”, levando à reflexão sobre o propósito individual de cada um.
Após a reflexão, iniciou-se a gira com a chegada de Seu Curumataí, que trouxe energia acolhedora e vigorosa, transmitindo as forças de Ogum e Iemanjá no passe energético, preparando o terreno para o bate-folhas de Oxóssi, que limpou e fortaleceu com a cura das matas. Mamãe Oxum envolveu a todos com seu carinho, encerrando o atendimento voltado especialmente para cura de ansiedade e depressão.
Na sequência, foi celebrada a Cerimônia de União dos filhos Alberto e Elenise, conduzida por Seu Curumataí. Um tapete de folhas foi preparado ao centro do terreiro para a entrada dos padrinhos e dos noivos. Em suas palavras, destacou que a união não é apenas entre duas pessoas, mas envolve toda a família espiritual, que abençoa e acompanha esse caminhar. Durante a cerimônia, os noivos trocaram coroas de flores sobre o Ori, partilharam pão e vinho e receberam bênçãos para que suas vidas fossem guiadas pela compreensão, diálogo e amorosidade. As velas entregues simbolizavam luz e força para a caminhada, devendo acompanhá-los por toda a vida. A celebração foi encerrada com a alegria dos Erês, flores, folhas e um grande abraço coletivo de toda a corrente espiritual.
Ainda na primeira parte, Mamãe Iansã trouxe sua força de ventos e transformações, inundando o terreiro de energia, antes da despedida de Seu Curumataí.
Na segunda parte da gira, saudamos Seu Sete Pedreiras e a chegada de Seu Pena Branca, que trouxe alegria, firmeza e a energia dos curumins. Ele chamou ainda os caboclos Ubiratã e Guaracy, que se juntaram à corrente para atendimentos repletos de cura, leveza e axé.
Seu Pena Branca também explicou sobre o uso do tabaco, ressaltando que não se trata de vício, mas de instrumento de limpeza e transformação através da fumaça. Orientou que, ao estar sob a fumaça, cada um entregue suas dores e dificuldades para que sejam levadas embora.
Em seguida, ensinou sobre a força da Jurema, presente nas ervas, nas águas, nos alimentos, na fauna, na flora e em cada ser. Ressaltou que, assim como não é possível contar todas as folhas que estavam no chão do terreiro, também não se pode contar as bênçãos reservadas a cada um que, com fé, se dedica.
Encerrando os trabalhos, Seu Pena Branca dançou, cantou, saravou com a fumaça de seu cachimbo e despediu-se com alegria e luz.
Saravá Seu Pena Branca!
Saravá Seu Sete Pedreiras!
Saravá Seu Curumataí!
Saravá a Vovó Benta!
Gira de Terça-Feira (Mãe Cristina) - Relato por Mãe Cris de Iansã ⚡
Na terça-feira conversamos um pouquinho sobre como, automaticamente, nossos pensamentos e nossas ideias são divididos em caixinhas, e sobre a necessidade que temos de expandi-los. Aproveitamos e fizemos um gancho aqui com a gira de marinheiros.
Quando pensamos em marinheiros, automaticamente os colocamos em caixinhas: imaginamos pescadores, militares ou tripulantes, por exemplo. Mas, muitas vezes, esquecemos de todo um povo que tira seu sustento e sua sobrevivência do mar. Aqui falamos não só de pescadores e marinheiros, mas também de rendeiros, rendeiras e bordadeiras.
Precisamos ampliar nosso pensamento para olhar com carinho para todo esse povo que nos ensina tanto — não apenas sobre sobrevivência, mas também sobre perseverança, sobre não desistir e persistir diante das dificuldades que a vida nos coloca. É muito fácil associar marinheiros e praia à ideia de lazer, porque, ao final do ano, costumamos ir à praia para comemorar, festejar e tirar férias. Mas essa não é a realidade deles, que estão lá, faça dia, faça noite, faça sol, faça lua, faça frio ou calor — assim como acontece em nossa própria vida.
Diante das dificuldades, como a variação do tempo e até a escassez de peixes, surge a necessidade de conhecimento para saber a melhor hora de aportar ou de embarcar. O povo do mar nos ensina muito sobre o dia a dia, sobre aquilo que precisamos aprender: perseverar, porque desistir não é uma opção.
A primeira parte iniciou-se com S. Girassol, trazendo a vibração dos caboclos de Oxóssi. O povo do Oriente trabalhou na cura dos pets e da assistência. As Iabás vieram para acalentar e descarregar. Já na segunda parte, a força dos marinheiros nos ensinou sobre equilíbrio e resiliência para o atendimento nas consultas.
Gira de Terça-Feira (Mãe Juliana) - Relato por médium Helenita de Iemanjá 🐚
Com o acalento sob a Terra das Águas, na casa de Vó Benta, há sempre uma primorosa sincronia: do toque do atabaque ao elo que nos liga aos espíritos que nos ensinam e guiam.
A cangira iniciou com um chamado à reflexão:
“Cultive sua saúde, felicidade e doçura em seu espírito, para que, ao se vincular ao próximo, possa emanar essas dádivas.”
Após a chegada de Sete Flechas, o passe e a vibração das sete linhas foram realizados com a força de Ogum e a serenidade de Iemanjá.
Sete Flechas pediu que os presentes na Meia Lua de Cura se conectassem com seus ancestrais e agradecessem por todos os passos que eles trilharam para que cada um estivesse ali. Ele também orientou a curar e enfrentar os padrões repetitivos, sejam eles cármicos ou não.
O terreiro foi preenchido pela sabedoria do Povo do Fogo, junto à beleza dos rios de Oxum, e Mamãe Iansã descarregou o campo energético para que os atendimentos se realizassem.
Os atendimentos ocorreram sob a condução de Seu Sete Flechas, que convocou os caboclos de Xangô para trazerem sua virilidade.
Ele deixou uma missão para a Corrente TVB Ilha do Mel, assim que a cangira se encerrasse: descarregar as guias e os sentimentos nos braços da Mãe Iemanjá. 💙
Gira de Quarta-Feira (Pai Raphael) - Relato por Pai Raphael de Ogum ⚔️
Mais uma quarta feira se iniciou com uma reflexão proposta: sobre a importância de não focarmos apenas em algo específico, nem deixar os outros aspectos da vida sem cuidado.
Sobre a importância de sempre estarmos conectados com o que fazemos e de não permitir que as infelicidades atrapalhem nossos objetivos. Como na época de Nanã e Omolu, que tanto falamos nos últimos dias, sobre renovação e desapego, mas com expertise e sabedoria. Saber o que nos pertence e o que não nos pertence. Foi mencionado também o quanto tentamos resolver situações e nos deixamos abalar por decisões que não dependem de nós. Falou-se ainda sobre a necessidade de nos permitir sentir e nos colocar como prioridade. Assim, conseguimos nos entender, fazer com que os outros nos entendam e, principalmente, oferecer aos outros o que precisam sem nos negligenciarmos. Não apenas vivendo outras vidas ou situações. Cuidar de si é necessário para cuidar do outro.
A força de S. Tucumã, com Ogum e Oxóssi instauradas, deixou a energia dinâmica e leve. Nossa querida assistência, sempre presente, também estava vibrante. Com o passe dos caboclos e a limpeza de Iemanjá já realizados, iniciou-se o trabalho das macas, concluído em uma única rodada com 20 atendimentos.
Para finalizar, S. Tucumã chamou a força de Xangô para que todos compreendessem a mensagem do caboclo e assimilassem seu ensinamento.
No segundo momento, com os pais e mães velhos, o Velho do Rio explanou sobre o tempo e a “tela colorida”, mostrando o quanto ela engana, usando como exemplo: a grama do vizinho. Dito isso, ele falou: a "grama do vizinho" sempre parece mais verde, e indagou: é mais verde porque é diferente ou porque ele cuida e dá atenção? Então, meus filhos, se preciso for, vire a terra, espalhe adubo, plante as sementes e regue, pois a grama plantada e cuidada fica tão verde quanto a do vizinho.
Gira de Quinta-Feira (Mãe Lilian) - Relato por Capitão Alan de Ogum ⚔️
Mais uma vez, o terreiro se abriu nesta quinta-feira e, com ele, uma corrente inteira se firmou em pés descalços, mãos estendidas e corações que batiam ao ritmo das palmas. A gira começou com os toques firmes de quem sabe que espiritualidade não se resume à incorporação. Mãe Lilian, com aquele jeito que mistura carinho e firmeza, nos convidou a uma reflexão simples, mas devastadora: quem, entre os vivos, temos amado de verdade?
Fechamos os olhos. E, por um instante, houve um silêncio ensurdecedor, como quem espera o trovão após o relâmpago, mas escuta apenas o som do próprio peito. Ela pediu que escolhêssemos uma pessoa viva. Apenas uma. Aquela pessoa. E que pensássemos no que sentiríamos se não houvesse mais tempo de dizer que a amamos. Pela primeira vez. Pela milésima. Um estalar de dedos… e fim. As chances antes infinitas, se foram. Foram segundos de uma dor que não sangra, mas marca. Uma reflexão breve, mas que perdurou como o incenso da defumação que perfuma a noite inteira.
Na primeira parte da gira, os atendimentos foram intensos, com duas levas de maca — algo que não se via há semanas. A corrente trabalhou muito e bem. Houve vibração com o Povo do Fogo, Povo do Oriente, Iabás, Caboclos... Houve pedidos de ajuda e houve silêncio que confortava. Vovó Benta veio antes mesmo do intervalo, enquanto a limpeza de Iansã ainda acontecia, trazendo a urgência de conversar com alguns filhos necessitados. Os assuntos eram pesados, mesmo para quem apenas observava de longe. Peso que se acolhe no colo. Mateuzinho também esteve presente, equilibrando lágrimas e risos com a inocência de sempre — como quem transforma o sofrimento em leveza.
No intervalo, a noite mudou de temperatura. Margarida, filha da casa, chegou trazendo nos olhos uma ausência que ela mesma ainda não sabia nomear: seu companheiro de vida, Seu Leal, havia feito a passagem pouco antes da gira. Sem tempo de processar o turbilhão, ela veio buscar o colo do terreiro — lugar onde a dor não precisa ser escondida atrás de palavras bonitas.
Vovó a acolheu, e ficaram juntas. Depois, Pai Amilton trouxe a notícia à corrente e à assistência com respeito e emoção, homenageando o guerreiro discreto e afetuoso que descansava. Em seguida, todos abraçaram Margarida — primeiro coletivamente, depois um a um, cantando e chorando em silêncio. Quem olhasse seus olhos veria que sua consciência ainda buscava entender o que havia acontecido.
Ao fim do intervalo, Vovó Benta e Mateuzinho permaneceram em terra. Mesmo sendo uma gira de Exu, mesmo sendo dia de energia quente, foi ela quem conduziu os trabalhos. Os pais puxaram a força dos Exus e assentaram as energias. Era necessário: a dor estava ali, mas não podia desorganizar a corrente. Era uma dor que ensinava.
A presença dos Exus foi firme, mas não agressiva. Viva, mas não barulhenta. Todos pareciam compreender que o momento exigia menos explosão e mais presença. Foi uma noite sobre o amor. Pelo outro, por si. Sobre despedidas e reencontros.
Vovó falou sobre a “boa morte”: quem vive esperando a morte esquece de viver; quando chega a hora, é porque o ciclo se cumpriu; a vida do espírito não termina com a morte do corpo. A “boa morte” se constrói em vida. Disse ainda que Margarida ainda não entendeu, mas entenderá. E riu de leve, comentando que, quando Leal acordar do outro lado, ela mesma contará sobre todas as homenagens que recebeu.
Mateuzinho relembrou sua história: o menino que desencarnou na água, “descansando”. Disse que não sofreu, mas que quem sofre são os que ficam. E lembrou: quem está vivo, precisa viver.
Os Exus também falaram — Seu Caveira, Seu Meia-Noite. Falaram sobre a rapidez do fim, a importância do agora, a simplicidade da morte. “Amemos agora. Vivamos agora. Porque o amanhã pode não existir. A morte é um estalar de dedos. A vida é todo o resto. Onde está nosso foco?”
A gira se encerrou com uma beleza estranha: mistura de dor e alívio, de perda e reconexão. Foi uma noite que se eterniza. Mesmo que muitos tenham voltado para casa com passos normais, dentro levavam algo a mais — ou a menos. Talvez um vazio bom, pedindo para ser preenchido com verdade.
E se alguém, em silêncio, sentiu saudade de quem não pôde ou não quis estar presente, que tenha se permitido amar mesmo assim. Porque o amor permanece mesmo sem presença, mesmo sem destino, mesmo na dor. Basta sentir. Basta viver.
Saravá Seu Leal de Oxóssi! Quem é imortal não morre.
Gira de Sexta-Feira (Mãe Luana) - Relato por Pai Gustavo de Oxóssi 🪶
Na última sexta-feira, mãe Luana nos conduziu à reflexão de que não temos controle sobre tudo o que ocorre ao nosso redor, mas sim sobre como reagimos diante do que acontece. Também nos aconselhou a não termos medo de procurar um psicólogo, buscando ajuda para entender nossos sentimentos e aprender a lidar com cada um deles.
A gira iniciou com S. Serra Negra, chamando a força de Xangô e Iemanjá, trazendo a firmeza das pedreiras e a limpeza das águas do mar. Oxóssi e Oxum auxiliaram nos trabalhos de cura ao meio do terreiro, enquanto Iansã nos conduzia à transmutação de nossos sentimentos.
Na segunda parte, Dona Tata Mulambo nos agraciou com sua presença, trazendo todas as Pomba Giras para nos ensinar sobre autoconfiança e autoconhecimento, de uma forma única, como só ela é capaz.
Gira de Sábado (Mãe Lilian) - Relato por Mãe Lu de Iemanjá ⚓
Para fechar a semana, a gira de sábado mais uma vez foi mais do que o esperado. Com o terceiro e último dia da imersão de desenvolvimento dos médiuns, a entrega e a presença foram mais necessárias do que nunca. Para tentar simplificar o que há de mais complexo, navegamos em águas calmas, mas profundas, para olhar o que nos é essencial — aquilo que traz sentido ao nosso viver.
Tema difícil de ser olhado, pois, além de destacar o que é essencial, também nos mostra claramente o que, por engano, priorizamos. Sorte a nossa termos a oportunidade de fazer isso em família de santo — pois juntos é sempre melhor!
E como não fazemos nada sozinhos, antes de continuar meu próprio relato, acrescento aqui o que cada Mãe dirigente de gira pontua sobre as vivências desta imersão!
Mãe Lilian nos diz:
“Encerramos a imersão que se estendeu por três sábados, ao longo de três meses, com a certeza de que a saúde mental e espiritual do médium permanece como prioridade absoluta para a construção de uma corrente mediúnica coesa, coerente e verdadeira.
Neste percurso, mergulhamos no estudo das energias cósmicas com mais profundidade, e revisitamos o sentido da nossa existência com uma clareza que nos convidou à verdade interior. O processo foi intenso e transformador: ninguém atravessou essa imersão sem experimentar a força da transmutação e o brilho da iluminação em seu próprio espírito.
Foi um tempo de beleza e de reencontro com a essência. Por isso, aguardo com alegria e entusiasmo a próxima imersão do ano que vem, na certeza de que mais uma vez seremos conduzidos a novos níveis de consciência, entrega e luz.”
Mãe Cris pontua:
“No sábado, ficou muito evidente para mim a força dos ciclos — aquilo que se encerra, o que se inicia e o que se reinicia. Percebi que, se não nos determinarmos a enxergar com clareza o que precisa ter um fim e o que precisa nascer ou renascer em nossas vidas, o ciclo se cumpre de qualquer forma, à revelia da nossa consciência. É um movimento inevitável, mas a consciência nos dá a possibilidade de escolher e de transformar.
Nesse enlace das três imersões que vivemos, pude sentir com mais profundidade a amplitude da força de Nanã e de Omolú. Quando falamos em encerramento de ciclos, não se trata apenas da morte física, mas do desprendimento daquilo que já não nos serve: estruturas que não nos agregam, padrões que não nos ajudam a evoluir, pesos que nos fazem mal. Os ciclos que se repetem de maneira não saudável para nós acontecem porque permitimos, por não sabermos qual é o real sentido deles em nossa vida e existência.
Foi como se, neste encontro, tivesse ficado mais claro o real sentido dessas energias. Já as tínhamos visto em outros trabalhos, mas agora foi diferente: foi possível compreender de verdade a presença de Omolú e Nanã na condução desses processos de encerramento, renascimento e renovação. Para mim, ficou marcado como um aprendizado essencial, um chamado para confiar nos ciclos e deixar que eles cumpram sua função em nós.”
Mãe Luana reforça:
“A imersão é uma oportunidade de olhar para dentro de nós mesmos: perceber, avaliar e se perguntar — o que é realmente importante para mim? Qual o sentido do que faço e para onde desejo seguir?Não como uma busca por conquistas externas, mas como um processo de apropriação e reconhecimento do próprio espírito. Ao entrar em contato com nossa essência, compreendemos que nem sempre as coisas são como gostaríamos. Muitas vezes é doloroso diagnosticar o que não vai bem, admitir fragilidades e, sobretudo, desejar ser ajudado.
O que mais me marcou nesse último encontro da imersão foi perceber a forma como os trabalhos espirituais se manifestam. Em cada fala dos espíritos, uma mensagem se repetia: a união. Ninguém está sozinho em uma casa de reza. Mas, para viver essa verdade, é preciso deixar-se acolher e também acolher, respeitar e ser respeitado.”
🌊 ⚡🪨
Após a conversa e a dinâmica conduzidas pela Mãe Lilian, a gira se iniciou com uma leveza sem igual! Houve quem se surpreendesse ao pensar que, pelos trabalhos envolvidos, haveria de ser “pesado” ou “denso”. Mergulhar nas profundezas que nos habitam pode (e deve) ser algo fluido. Mas, com toda certeza, só houve essa possibilidade graças aos direcionamentos realizados nos últimos três meses, pela condução espiritual e material da Casa.
Os caboclos S. Curumataí, S. do Mar, S. Serra Negra e S. Girassol conduziram unidos os trabalhos de descarrego, passe energético, passe de quebra de demandas e também o ritual de renovação de amaci. Foi lindo ver Ogum, Oxóssi e Xangô atuando juntos — e mais lindo ainda ver a percepção dos médiuns envolvidos no ritual!
Após o breve intervalo, Nanã e Omolú se fizeram presentes como para abençoar e confirmar: confie em você mesmo para enfrentar suas profundezas, confie no divino para iluminar as sombras, confie na família para estar lado a lado na dificuldade. Depois, é claro, S. Tata, S. Maré, S. do Ferro e S. Meia Noite firmaram os trabalhos com excelência!
Um ritual de entrega, iniciado na tarde da imersão, agora seria finalizado: cada filho, de cada corrente, firmou junto ao Exu guardião e protetor de sua gira o compromisso da transformação e da transmutação. Da morte necessária de partes de si, para o renascimento e florescimento de boas novas coisas.
Em mais um dia de trabalho — cansativo fisicamente, mas necessário — foi possível sentir: nada acontece por mero acaso. Cada espírito, encarnado ou desencarnado, se faz presente onde deve estar. Enfrentando desafios, desconfortos e demandas — mas jamais sozinhos.
Já nos foi ensinado há tanto tempo, e não há frase que não ecoe ainda em minha mente desde este dia... “Morto está quem não tem fé.”
Laroyê Exu!
Saravá Seu Tata Caveira, guardião da Calunga e das memórias eternas que nela repousam. 💀
Saravá Seu Exu Maré, senhor dos segredos e mistérios que habitam as profundezas do mar. 🏴☠️
Saravá Seu Exu do Ferro, que sustenta, purifica e redime as dores forjadas em nosso íntimo. ⛓️
Saravá Seu Meia Noite, senhor das encruzilhadas do tempo, que transforma o silêncio da escuridão em caminhos de luz. 🌓
"Quem não é de fé, não vai curiar comigo... Ê, ê, ê, tem mironga... Exu vai desmanchar, Exu vai desmanchar..."
Projetos esportivos
Dança do ventre🧿🌙
Nesta segunda-feira não houve aula por um motivo super especial, o casamento dos filhos da nossa casa Elenise de Iemanjá e Alberto de Oxóssi.
Ela, aluna do projeto de dança do ventre, escolheu como madrinhas a professora Cris Farah (Gisleine de Oxóssi) e a colega de aula e irmã de santo, Alessandra de Iemanjá.
Ele, aluno do projeto de Tai Chi Chuan, escolheu como padrinhos o professor Filipe Caldonazzo e o amigo Rafael Rangel. A cerimônia foi marcada por muita emoção.
São os projetos do TVB criando laços profundos de amizade, cumplicidade e carinho. 💙💚
Dança cigana💃✨
Na aula de segunda-feira, trabalhamos o andar, os movimentos rotativos com os ombros e também o olhar enquanto baila. São detalhes que moldam a interpretação na dança e a conexão com o público!
Temos também uma novidade especial: mais uma aluna chegou ao grupo! Com apenas 12 anos, ela se encantou ao ver a mãe entrar no projeto, quis participar e agora faz parte da nossa família como a pequena bailarina do grupo. 💕
Aqui, ninguém solta a mão de ninguém! 🤝💃✨
Capoeirê-se Kids 🪁
Com nossos pequenos de 2 a 5 anos, em um dos bloquinhos, trabalhamos algo essencial: reagir com consciência ao bullying. Eles aprendem a ter coragem para se posicionar pela fala e também para se defender. O impacto da capoeira vai muito além da roda: transforma insegurança em confiança e medo em coragem.
Já os pequenos de 6 a 13 anos mergulharam em um circuito de movimentações, partindo dos golpes, passando por movimentos de contato com o chão e chegando até técnicas mais elaboradas, sempre desenvolvendo coordenação, percepção e criatividade.
Capoeirê-se Adultos 🥋
Essa galera está aprendendo a olhar a capoeira de outro jeito. Num mundo cheio de informação, o nosso caminho é perceber o que não fazer, o que podar, o que eliminar e como abrir espaços.
Aprender a não acreditar em tudo que aparece na tela e, principalmente, não se culpar pelo excesso de informação.
Há 2 anos seguimos juntos, indo do simples ao complexo, sem pressa, vivendo o processo e formando uma mente e um corpo inteligentes.
A chave-mestra? Repetir sem ser igual.

Muay Thai 🥊💪
Na aula desta semana, fizemos um alongamento para soltar as articulações e evitar lesões musculares, seguido de exercícios isométricos para ganho de resistência. Em seguida, realizamos aquecimento direcionado ao cardio e à impulsão muscular, preparando o corpo para a prática.
A prática continuou com movimentações e sequência de golpes, com foco na postura, no conhecimento de cada movimento e na compreensão das finalidades de cada golpe.
O Muay Thai não trabalha apenas o corpo: ele fortalece músculos, melhora a coordenação, o equilíbrio e a resistência cardiovascular, além de ser excelente para reduzir o estresse, aumentar a concentração e a autoconfiança, promovendo bem-estar físico e mental.

Movimenta Caboclo
Na última terça-feira, o Projeto Movimenta Caboclo trouxe um treino especial focado no fortalecimento do abdômen, lombar, coluna e posteriores de pernas!
Começamos com uma dinâmica de aquecimento articular super divertida, que trabalhou movimento corporal, memória e agilidade . Finalizamos com uma respiração guiada e alongamentos relaxantes para renovar as energias.
Venha se movimentar, cuidar do corpo, da mente e se conectar com essa energia incrível!
💚Quer participar?
📍Toda terça-feira, às 17h30, no barracão de projetos do TVB.
💸 Contribuição: R$35 mensais.
Projetos terapêuticos
Nesta semana, contamos com a dedicação de 26 terapeutas humanos e um terapeuta pet 🐶, que levaram luz e cuidado a quem buscou auxílio. Foram 60 atendimentos presenciais, incluindo 6 pets, e mais 60 atendimentos à distância, entre pessoas e animais, ampliando ainda mais a rede de amor e energia curadora.
Reforçamos, mais uma vez, a importância de mantermos nosso objetivo e propósito bem definidos em cada noite de atendimento terapêutico. Assim, fortalecemos não apenas quem recebe, mas também quem doa.
🌿 Gratidão a todos os envolvidos por sustentarem essa corrente de fé, cuidado e energia.
✨ Namastê! ✨
Projetos Sociais
Feira/Xepa Solidária 🍎🥕
Em mais um final de semana iluminado de colheita, os voluntários fizeram a diferença na na mesa e na semana das comunidades do Bairro Alto e do Jardim Acrópole (Cajuru)! Observe só os números desta semana:
🥕 Coleta Feira Alto da Glória: 150kg
🍆 Coleta Mercado Regional do Cajuru: 144,25kg
🥦 Coleta Feira Mercês (Praça 29 de Março): 152,90kg
🥬 Total da Coleta: 447,15kg
🌱 Destinados a compostagem: 59,10kg
🥗 Distribuídos para comunidade: 388,05kg
Pra auxiliar nesta linda frente de trabalho, você pode se unir a três diferentes equipes: de coleta, de separação e de entrega! O projeto acontece todos os finais de semana, mas você pode entrar na escala de voluntários e atuar uma vez ao mês. Entre em contato conosco para fazer parte.
Marmita Solidária 🍲🤍
A Marmita Solidária é mais do que alimento: é cuidado, partilha e acolhimento. Cada tempero, cada grão de arroz e cada pedaço de afeto colocado na panela carrega a força da coletividade, a energia do axé e a certeza de que ninguém deve caminhar sozinho.
No Terreiro Vovó Benta, acreditamos que a fé também se expressa em gestos concretos. Distribuir marmitas é aquecer não só o corpo, mas também o coração de quem recebe — e de quem prepara. É a espiritualidade se transformando em ação, é o amor de Orixá chegando à mesa de cada irmão e irmã.
Nesta semana, foram mais de 700 refeições servidas! Um marco que só foi possível graças à união de muitas mãos e corações. E se você deseja participar desse processo — seja cozinhando ou ajudando na entrega — será muito bem-vindo. Procure a secretaria do TVB e venha somar nessa corrente de amor. 🌿✨
Projetos culturais
Crochêterapia 🧶🪡👐
Nosso encontro desta semana foi repleto de boas conversas e muita inspiração! O lanche preparado estava simplesmente delicioso e deu ainda mais energia para seguirmos tecendo juntos. 🫶
Os projetos em desenvolvimento estão cada vez mais lindos. É uma alegria ver a dedicação e a criatividade de cada participante se transformando em peças únicas. 💜
Temos uma grande novidade: as peças produzidas pela turma serão expostas na Feira de Artesanato, dentro da Festa das Nações, que acontecerá em outubro. Será uma oportunidade especial para mostrarmos o talento e o carinho que colocamos em cada ponto. 🎉
Além disso, estamos estudando a viabilidade de abrir uma nova turma aos sábados à tarde, para acolher aqueles que não conseguem participar das atividades nas terças-feiras. Assim, mais pessoas poderão vivenciar o poder terapêutico e coletivo do crochê. 🧶✨
Leia+/Biblioteca Pai José
📚✨ Convite Especial: Leitura Continuada ✨📚
Venha participar do primeiro encontro da leitura continuada do livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves!
🗓 Data: 14 de setembro (domingo)🕙 Hora: 10h📍 Local: Praça 29 de Março (Feira das Mercês)
Será um momento de troca, reflexão e mergulho na história, conectando pessoas apaixonadas por leitura e debates literários. Traga sua curiosidade e vontade de compartilhar ideias! Após o encontro, uniremos forças com a equipe do projeto Xepa Solidária!
💛 Esperamos por você para iniciar essa jornada literária juntos!
📚✨ Convite Especial: Leitura Conjunta ✨📚
Venha participar do nosso encontro de leitura conjunta no Terreiro Vovó Benta! Daremos início à leitura do livro “O Primeiro Passo”, escrito por Mãe Lilian de Iemanjá.
🗓 Data: 27 de novembro (sábado)🕝 Hora: 14h30📍 Local: Terreiro Vovó Benta
Não é necessário ter lido o livro antes — a leitura será feita coletivamente durante o encontro.Será um momento de aprendizado, partilha e conexão, fortalecendo saberes e vivências em torno da obra.
💛 Esperamos por você para dar esse primeiro passo juntos!
Indicação de leitura:
O livro “Viagens Fora do Corpo”, de Robert A. Monroe, é uma obra pioneira sobre experiências extracorpóreas e projeção da consciência. Publicado pela primeira vez em 1971, reúne relatos detalhados das vivências do autor ao sair do corpo físico de forma lúcida, descrevendo técnicas, percepções e reflexões sobre a natureza da realidade e da existência. A leitura é indicada para quem busca ampliar a compreensão sobre espiritualidade, consciência e fenômenos transcendentais, trazendo uma abordagem séria e instigante a respeito de temas muitas vezes tratados apenas pelo imaginário.





















































































































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